{"id":119,"date":"2019-08-17T23:41:23","date_gmt":"2019-08-17T23:41:23","guid":{"rendered":"http:\/\/td_uid_54_5d8bfb2332ca8"},"modified":"2023-03-27T08:21:03","modified_gmt":"2023-03-27T11:21:03","slug":"brasil-tem-o-primeiro-curso-de-economia-ecologica-do-mundo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaoparamita.com.br\/en\/brasil-tem-o-primeiro-curso-de-economia-ecologica-do-mundo\/","title":{"rendered":"Brasil tem o primeiro curso de Economia Ecol\u00f3gica do mundo"},"content":{"rendered":"<div class=\"td-paragraph-padding-1\">At\u00e9 a cria\u00e7\u00e3o da gradua\u00e7\u00e3o, na Universidade Federal do Cear\u00e1, a economia ecol\u00f3gica se apresentava nas universidades mundo afora como uma disciplina da \u00e1rea de Ci\u00eancias Econ\u00f4micas,\u00a0de mestrado ou doutorado. Em 2010, um grupo de economistas e professores da UFC, disc\u00edpulos de\u00a0<a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Nicholas_Georgescu-Roegen\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Nicholas Georgescu-Roegen<\/a> (1906-1994), autor de <em>\u201cThe Entropy and the Economic Process\u201d <\/em>(Entropia e Processo Econ\u00f4mico), decidiu criar um curso de extens\u00e3o, com dura\u00e7\u00e3o de 40 horas. As mais de 400 inscri\u00e7\u00f5es e as dezenas de pedidos para que o curso fosse transformado em p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o ou mestrado encorajaram o grupo a pensar em ir mais longe. Os professores acreditavam na import\u00e2ncia de uma forma\u00e7\u00e3o de base e criaram o primeiro, e at\u00e9 o momento \u00fanico, curso de gradua\u00e7\u00e3o em Economia Ecol\u00f3gica do mundo.<\/div>\n<div class=\"td-paragraph-padding-1\"><br \/>Mas, afinal, o que \u00e9 Economia Ecol\u00f3gica? L\u00e1 pelos anos 60 e 70 do s\u00e9culo passado, cientistas e ambientalistas come\u00e7aram a fazer cr\u00edticas \u00e0 explora\u00e7\u00e3o dos recursos naturais e ao modelo de crescimento econ\u00f4mico baseado na explora\u00e7\u00e3o, produ\u00e7\u00e3o e devolu\u00e7\u00e3o de res\u00edduos poluentes para a natureza que n\u00e3o podiam ser reaproveitados. J\u00e1 no come\u00e7o dos anos 70, economistas mais conscientes alertaram para o dia em que o crescimento econ\u00f4mico seria zero, pois crescer \u00e0s custas da destrui\u00e7\u00e3o de recursos naturais n\u00e3o renov\u00e1veis seria invi\u00e1vel.<\/div>\n<div class=\"td-paragraph-padding-1\">\n<p>\u201cNas origens do curso, n\u00f3s est\u00e1vamos tentando estabelecer um contraponto, uma cr\u00edtica ao dogma do crescimento econ\u00f4mico e, tamb\u00e9m, ao dogma da sustentabilidade. N\u00e3o d\u00e1 para simplesmente pintar de verde e dizer que a economia \u00e9 sustent\u00e1vel. H\u00e1 processos que se tornam irrevers\u00edveis e se voltam contra a economia e as pessoas\u201d, analisa o economista e professor, A\u00e9cio de Oliveira, um dos integrantes do time idealizador do curso de bacharelado, apelidado de Eco Eco. Ele continua, \u201cAqui no curso de economia ecol\u00f3gica n\u00f3s tentamos estabelecer as rela\u00e7\u00f5es entre economia, natureza e sociedade. Precisamos restabelecer princ\u00edpios ecossist\u00eamicos de coevolu\u00e7\u00e3o. Somos um sistema social e econ\u00f4mico, mas ambos est\u00e3o delimitados pelo ecossistema que \u00e9 materialmente limitado\u201d.<\/p>\n<figure id=\"attachment_46942\" class=\"wp-caption aligncenter  g1-current-background\" aria-describedby=\"caption-attachment-46942\"><img data-recalc-dims=\"1\" fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-46942 size-full\" title=\"Foto Divulga\u00e7\u00e3o\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/projetocolabora.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/Eco-3.png?resize=800%2C742&#038;ssl=1\" sizes=\"(max-width: 1204px) 100vw, 1204px\" srcset=\"https:\/\/projetocolabora.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/Eco-3.png 1204w, https:\/\/projetocolabora.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/Eco-3-300x278.png 300w, https:\/\/projetocolabora.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/Eco-3-768x712.png 768w, https:\/\/projetocolabora.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/Eco-3-863x800.png 863w, https:\/\/projetocolabora.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/Eco-3-1110x1029.png 1110w, https:\/\/projetocolabora.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/Eco-3-730x677.png 730w, https:\/\/projetocolabora.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/Eco-3-539x500.png 539w, https:\/\/projetocolabora.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/Eco-3-350x324.png 350w, https:\/\/projetocolabora.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/Eco-3-254x235.png 254w, https:\/\/projetocolabora.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/Eco-3-125x116.png 125w\" alt=\"Nova turma de calouros do curso de Economia Ecol\u00f3gica. Foto Divulga\u00e7\u00e3o\" width=\"800\" height=\"742\" \/><\/figure>\nO programa pedag\u00f3gico do curso foi rejeitado pelas Ci\u00eancias Econ\u00f4micas, pois se apresentava ousado demais para o departamento. A Eco Eco, ent\u00e3o, ficou abrigada sob o guarda-chuva das Ci\u00eancias Agr\u00e1rias, n\u00e3o menos conservadora que a economia tradicional. Lucio Alves, 21 anos, estudante do 6\u00ba per\u00edodo pensava em cursar Ci\u00eancias Econ\u00f4micas, mas para trabalhar com economia social, \u201cnada de banco\u201d se apressa em dizer. \u201cA Economia tradicional, na UFC, infelizmente, n\u00e3o est\u00e1 incluindo todas as disciplinas sociais na grade. Na Eco Eco \u00e9 o contr\u00e1rio, o fundamento aqui \u00e9 uma discuss\u00e3o ecol\u00f3gica e social, interdisciplinar, voltada para as pessoas e n\u00e3o para o dinheiro. \u00c9 mais ampla, \u00e9 sobre a vida. \u00c9 compreender que o sistema ecol\u00f3gico \u00e9 maior que o sistema econ\u00f4mico.\u201dn and were like Whoa look this plus size girl in our campaign from work to play with just the quick unfastening of a couple of buttons.<\/div>\n<p>Uma das inova\u00e7\u00f5es do curso, que por si s\u00f3 j\u00e1 \u00e9 inovador, \u00e9 o\u00a0<em>Trabalho de Campo Integrado (TCI)<\/em>. A partir do segundo semestre, os estudantes seguem para o campo e colocam em pr\u00e1tica as teorias aprendidas em sala de aula. O TCI \u00e9 uma disciplina obrigat\u00f3ria, onde os estudantes aplicam as ferramentas que conheceram no semestre. \u201c\u00c9 uma maneira de trazer o saber da academia para o contato com a realidade. A gente sai de Fortaleza para o interior e vai ver o que \u00e9 o Cear\u00e1. Eu estou h\u00e1 seis semestres empolgado com o curso\u201d conta Lucio, com um sorriso no rosto. \u201cEstou satisfeito demais com a minha escolha. A grade do nosso curso \u00e9 muito boa, todo mundo sente inveja quando a gente mostra. \u00c0s vezes, a gente \u00e9 formado numa ci\u00eancia de pedra, uma ci\u00eancia dura, que nem entendemos por que estamos estudando aquilo, s\u00f3 muito mais tarde que se chega a uma discuss\u00e3o mais ampla, mais sens\u00edvel. Aqui na Eco Eco, a base j\u00e1 \u00e9 isso. A gente n\u00e3o vai aprender a jogar veneno para depois discutir se veneno \u00e9 bom. A gente vai discutir primeiro e acima de tudo para que o veneno. A gente n\u00e3o vai aprender como se desmata um hectare com dois tratores e uma corrente. Antes a gente pensa para que ensinar algu\u00e9m a fazer isso\u201d.<\/p>\n<p>O professor F\u00e1bio Sobral, um dos idealizadores do bacharelado explica que \u201cpara os economistas tradicionais bastam inova\u00e7\u00f5es tecnol\u00f3gicas que ir\u00e3o superar os problemas ambientais. A economia tem um princ\u00edpio b\u00e1sico que \u00e9 o crescimento econ\u00f4mico. \u00c9 uma incoer\u00eancia ter um planeta com recursos limitados determinado por um crescimento econ\u00f4mico que se quer exponencial, em contradi\u00e7\u00e3o com a pr\u00f3pria biosfera\u201d. Ele observa que \u201cos economistas ecol\u00f3gicos se escondem nos departamentos de economia, pois nunca tiveram for\u00e7a para romper definitivamente com a economia tradicional e passar a trabalhar a economia ecol\u00f3gica como uma alternativa vi\u00e1vel\u201d.<\/p>\n<p>O curso enfrenta resist\u00eancia de grupos dentro da universidade que tentam complicar a vida acad\u00eamica de docentes e discentes. A rotina da turma da Eco Eco n\u00e3o \u00e9 nada f\u00e1cil. Mas se vem resist\u00eancia de l\u00e1, o lado de c\u00e1 tamb\u00e9m resiste.\u00a0No m\u00eas passado, alunos da primeira turma foram diplomados.\u00a0Arthur Virgilius, cearense de Fortaleza, 29 anos, formou-se\u00a0com louvor. Arthur estava no final do curso de Jornalismo quando come\u00e7ou a estudar Ci\u00eancias Econ\u00f4micas, pois tinha a meta de ser jornalista de economia. Com o tempo, e com o interesse por temas ambientais, identificou \u201cinconsist\u00eancias\u201d no curso de Ci\u00eancias Econ\u00f4micas e pensou em seguir para as Ci\u00eancias Sociais ou para a Filosofia. Estava neste movimento ao mesmo tempo em que o curso de Economia Ecol\u00f3gica foi criado. \u201cResolvi olhar o Plano Pedag\u00f3gico do Curso (PPC) e\u00a0percebi que algumas lacunas que eu via nas Ci\u00eancias Econ\u00f4micas eram preenchidas. Al\u00e9m disso, compreendi a vis\u00e3o hol\u00edstica que o curso colocava. Desta forma, houve um encantamento com a ideia e eu aceitei a mudan\u00e7a\u201d. conta Virgilius.<\/p>\n<p>Sobral explica que o sistema econ\u00f4mico comete um erro grave quando transforma tudo em dinheiro. \u201cUma \u00e1rvore protege o solo, ret\u00e9m \u00e1gua, tem uma microfauna, cria um microclima, uma biomassa, a\u00ed a economia tradicional vai e diz que essa \u00e1rvore vale duzentos reais. Pegam-se vari\u00e1veis que n\u00e3o se comunicam e submetem essas vari\u00e1veis biof\u00edsicas a uma vari\u00e1vel monet\u00e1ria. Isso \u00e9 um assassinato do planeta. Devastar uma \u00e1rea e uma esp\u00e9cie e depois monetiz\u00e1-las n\u00e3o vai reduzir a devasta\u00e7\u00e3o. Se \u00e9 um ativo valorizado no mercado financeiro ele vai explodir.\u201d ensina o professor.<\/p>\n<figure id=\"attachment_46943\" class=\"wp-caption aligncenter  g1-current-background\" aria-describedby=\"caption-attachment-46943\"><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-46943\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/projetocolabora.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/Eco-4.jpg?resize=800%2C600&#038;ssl=1\" sizes=\"(max-width: 1158px) 100vw, 1158px\" srcset=\"https:\/\/projetocolabora.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/Eco-4.jpg 1158w, https:\/\/projetocolabora.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/Eco-4-300x225.jpg 300w, https:\/\/projetocolabora.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/Eco-4-768x576.jpg 768w, https:\/\/projetocolabora.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/Eco-4-1066x800.jpg 1066w, https:\/\/projetocolabora.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/Eco-4-1110x833.jpg 1110w, https:\/\/projetocolabora.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/Eco-4-730x548.jpg 730w, https:\/\/projetocolabora.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/Eco-4-539x404.jpg 539w, https:\/\/projetocolabora.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/Eco-4-350x263.jpg 350w, https:\/\/projetocolabora.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/Eco-4-254x191.jpg 254w, https:\/\/projetocolabora.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/Eco-4-125x94.jpg 125w\" alt=\"A partir do segundo semestre, os estudantes seguem para o campo e colocam em pr\u00e1tica as teorias aprendidas em sala de aula. Foto Arquivo Pessoal\" width=\"800\" height=\"600\" \/><\/figure>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Francisco Casimiro Filho,&nbsp;coordenador do curso de gradua\u00e7\u00e3o \nem&nbsp;Economia Ecol\u00f3gica,&nbsp;agr\u00f4nomo formado na UFC, com mestrado e doutorado\n em Economia Aplicada pela USP, precisa ser h\u00e1bil para manter o curso em\n funcionamento com um n\u00famero reduzido de docentes. Muitos trabalham \nvoluntariamente, movidos pela paix\u00e3o de contribuir na forma\u00e7\u00e3o de \neconomistas que possam pensar um mundo que n\u00e3o seja s\u00f3 economia, \nsociedade ou consumismo. Os professores querem formar economistas que \npensem a \u00e9tica da vida. \u201cRecebemos alunos das Ci\u00eancias Econ\u00f4micas para \nfazer disciplinas optativas livres conosco e no semestre seguinte eles \ntrocam de curso e migram para a economia ecol\u00f3gica\u201d, conta o professor \nCasimiro.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Andressa Paulino, 25 anos, soube do novo curso de gradua\u00e7\u00e3o por um \namigo e ficou curiosa. Os dois conceitos, economia e ecologia, n\u00e3o \ncaminhavam juntos na cabe\u00e7a dela. O amigo explicou um pouco e ela se \nsurpreendeu \u201ceu nunca tinha pensado por esse ponto de vista\u201d. A nota de \nAndressa no Enem daria para escolher muitos cursos, menos o que ela \ndesejava, arquitetura. Ela, ent\u00e3o, pensou em escolher um curso que ela \ngostasse e a enriquecesse enquanto esperava o tempo para trocar para \narquitetura. Deu Eco Eco. \u201cEu fui conhecendo o curso mais e mais, fui \ngostando do que estava vendo, passei a enxergar tudo ao meu redor com \numa vis\u00e3o diferente, mais cr\u00edtica, e passei a entender como tudo se \nconecta. Agora eu n\u00e3o quero sair da Eco Eco de jeito nenhum\u201d.<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>At\u00e9 a cria\u00e7\u00e3o da gradua\u00e7\u00e3o, na Universidade Federal do Cear\u00e1, a economia ecol\u00f3gica se apresentava nas universidades mundo afora como uma disciplina da \u00e1rea de Ci\u00eancias Econ\u00f4micas,\u00a0de mestrado ou doutorado. 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