{"id":12962,"date":"2024-05-08T14:45:45","date_gmt":"2024-05-08T17:45:45","guid":{"rendered":"https:\/\/acaoparamita.com.br\/?p=12962"},"modified":"2024-05-08T14:54:56","modified_gmt":"2024-05-08T17:54:56","slug":"carta-de-alfredo-aveline-publicada-no-livro-nuvens-cristalinas-em-luar-de-prata-de-wilson-paranhos-editado-em-1994","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaoparamita.com.br\/en\/carta-de-alfredo-aveline-publicada-no-livro-nuvens-cristalinas-em-luar-de-prata-de-wilson-paranhos-editado-em-1994\/","title":{"rendered":"Carta de Alfredo Aveline publicada no livro \u201cNuvens Cristalinas em Luar de Prata\u201d de Wilson Paranhos, editado em 1994\u00a0"},"content":{"rendered":"<p><em><strong>Prezado Wilson,<\/strong><\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Gostaria muito de j\u00e1 ter te respondido antes. Conforme solicitado, enviamos os exemplares da revista Bodisatva para a Marisa e o Wilmar Galbarino, aqui em Porto Alegre, bem como para a Nilda e o Victor Pritsch, l\u00e1 em Rio Pardo.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em><\/em><em>As atividades relacionadas \u00e0 vinda de S.S. o Dalai Lama ao Brasil e a ultima\u00e7\u00e3o dos detalhes para sua recep\u00e7\u00e3o em Porto Alegre tomaram todas as nossas energias, todo o tempo e toda a nossa capacidade de imagina\u00e7\u00e3o. Mas foi muito bom, extraordin\u00e1rio mesmo. Na pr\u00f3xima edi\u00e7\u00e3o da revista Bodisatva vamos relatar um pouco isso.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em><\/em><em>A vinda do monge Tokuda a Porto Alegre agora em abril foi tamb\u00e9m muito boa. Batizou mais de 20 crian\u00e7as, recebeu o \u201crakussu\u201d (manto simb\u00f3lico preparat\u00f3rio para a ordena\u00e7\u00e3o) de aproximadamente 10 pessoas para as quais deu nome religioso e ofereceu a cerim\u00f4nia de ref\u00fagio. O monge Tokuda deu uma palestra na UFRGS com audit\u00f3rio cheio e muita participa\u00e7\u00e3o.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em><\/em><em>Kahner San est\u00e1 passando bem agora, sua recupera\u00e7\u00e3o foi muito r\u00e1pida, ap\u00f3s a opera\u00e7\u00e3o. No pr\u00f3ximo 17 de julho dever\u00e1 cumprir seus 81 anos.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em><\/em><em>Meu primeiro contato com o Zen Budismo ocorreu em 1972, atrav\u00e9s de Celso Marques. Nosso contato principal era na \u00e1rea de ecologia e prote\u00e7\u00e3o ambiental. A AGAPAN, da qual Celso \u00e9 hoje o Presidente, estava tomando for\u00e7a. Meu interesse principal na \u00e1rea espiritual se situava no Hindu\u00edsmo e na Hatha Yoga.&nbsp;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em><\/em><em>Durante dez anos o Zen Budismo ficou latente e um pouco distante. Na \u00e9poca eu o achava um pouco frio, afastado, sem brilho, um pouco triste, um tanto formal. Lembro que me perguntava: \u201cE o amor, entra aonde no Budismo?&#8230;\u201d Tamb\u00e9m a grande preocupa\u00e7\u00e3o pela salva\u00e7\u00e3o e pela elimina\u00e7\u00e3o do sofrimento, por escapar dos ciclos de mortes-e-renascimentos, era algo um pouco estranho para mim, pois todo esse desejo parecia enfim basear-se na no\u00e7\u00e3o de um ego, no desejo de um ego escapar, no desejo de \u201calgu\u00e9m\u201d libertar-se do sofrimento sendo a personalidade individual algo ilus\u00f3rio, este objetivo me parecia um pouco limitado demais. Assim, seguia praticando medita\u00e7\u00e3o segundo a abordagem Hindu\u00edsta.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em><\/em><em>Passei o ano de 1981 praticamente recolhido em casa (de onde sa\u00eda para dar minhas aulas na Universidade e cumprir o essencial), mergulhado emocionalmente no Bhagavad-Gita, na obra e vida de Gandhi e de S\u00e3o Francisco de Assis. Isso levou-me ao ponto de pedir uma licen\u00e7a na Universidade e ir morar no meu s\u00edtio, juntamente com outros amigos, fundando uma comunidade rural, o \u201cGrupo Comunit\u00e1rio Rodeio Bonito\u201d, isto como meio de poder aprofundar mais essas experi\u00eancias. Corria o ano de 1982 e fiquei l\u00e1 at\u00e9 o segundo semestre de 1985 quando retornei \u00e0 Universidade e passei a aprofundar o estudo da Teoria Qu\u00e2ntica e na Complementariedade de Niels Bohr. O \u201cGrupo Comunit\u00e1rio\u201d terminara meio ano antes.&nbsp;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em><\/em><em>O que efetivamente me tocou, no Budismo, foi o \u201cvazio\u201d, a \u201cVacuidade\u201d. Minha sensibilidade veio por interm\u00e9dio da atividade como f\u00edsico, atividade da busca das \u201cess\u00eancias \u00faltimas\u201d. O Budismo, atrav\u00e9s dos Sutras do Cora\u00e7\u00e3o, do Lankavatara e, especialmente do Surangama Sutra e de v\u00e1rios ensinamentos do mestre Doguen, oferecia uma vis\u00e3o completamente nova, abissalmente profunda, extraordinariamente vasta e at\u00e9 mesmo assustadora. Lembrou-me muito a manifesta\u00e7\u00e3o transcendental de Krishna, no Hindu\u00edsmo, devorando a tudo e a todos. Nessa \u00e9poca aproximei-me da Raja Yoga, da Brahma Kumaris (sempre me apresentando como budista) e cheguei a viajar \u00e0 Alemanha, Inglaterra e outros pa\u00edses, onde tive contato com v\u00e1rios centros e participei, como convidado de um encontro internacional sobre o di\u00e1logo \u201cEspiritualidade e Ci\u00eancia\u201d em Col\u00f4nia (Alemanha), e l\u00e1 apresentei uma palestra intitulada \u201cO Surangama Sutra e a Teoria Qu\u00e2ntica\u201d.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em><\/em><em>Com essa compreens\u00e3o, busquei aprofundar a vis\u00e3o budista, aproximei-me mais do professor Celso Marques e passei a praticar zazen em sua casa. L\u00e1 conheci Khaner San. Avan\u00e7ando por a\u00ed, ao natural, passamos a fazer sesshins em Rodeio Bonito (Munic\u00edpio de Taquara, RS), um ou dois por ano durante 1986, 1987 e 1988. Tamb\u00e9m o Centro de Estudos Budistas (C.E.B.) passou a existir em uma fase inicial pelos textos todos de estudo que eu havia traduzido e continuava traduzindo. Pass\u00e1vamos a estudar em grupo na casa do Celso.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em><\/em><em>A intensifica\u00e7\u00e3o dessas pr\u00e1ticas levou \u00e0 necessidade de outros locais de medita\u00e7\u00e3o e estudo e tamb\u00e9m ao contato com outros centros e outras pessoas ligadas ao Dharma. T\u00ednhamos a sensa\u00e7\u00e3o de estarmos isolados, talvez sem companheiros de sangha no Brasil. Pouco mesmo sab\u00edamos dos outros Estados. Com alguns endere\u00e7os no bolso, Cinthia e eu fomos a S\u00e3o Paulo tentar contato com a Sociedade Soto Zen no bairro da Liberdade, bem como fazer contato com o Zen Coreano, do Grupo do Sidney Ramos Seabra que j\u00e1 havia recebido no Brasil, por duas vezes, o grande mestre coreano Zen Budista Dae San Sanin. L\u00e1 fizemos contato tamb\u00e9m, pela primeira vez, com a professora Lia Diskin e com Lincoln Berkeley (do Centro Budista Tibetano Vajra Dhatu, de Halifax, no Canad\u00e1) e, pela primeira vez, ficamos sabendo da ideia de trazer Sua Santidade o Dalai Lama ao Brasil. Imediatamente, pedimos para participar dessas atividades, para ajudar.&nbsp;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em><\/em><em>Algum tempo depois participei em S\u00e3o Paulo de um retiro dirigido pela Ani-la Rinchen Wangmo, disc\u00edpula do Vener\u00e1vel Kalu Rinpoche, que me abriu a perspectiva do Budismo Tibetano.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em><\/em><em>Em setembro, tivemos a visita de Daiju San (Cristiano Bitti), abade do mosteiro do Morro da Vargem, no Esp\u00edrito Santo, que veio dirigir um sesshin e nos ensinar a fazer o \u201crakussu\u201d para a ordena\u00e7\u00e3o futura. Em novembro\/dezembro desse ano de 1988, Cinthia e eu assistimos ao retiro oferecido por S.E. Jamgon Kongtrul, no Rio, onde tomamos ref\u00fagio pela primeira vez e tamb\u00e9m recebemos nossos nomes religiosos tibetanos na linhagem Karma Kagy\u00fa. As palestras de S.E. foram todas anotadas e, tr\u00eas das quatro, j\u00e1 foram publicadas em edi\u00e7\u00f5es da Revista Bodisatva.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em><\/em><em>A \u00faltima palestra anotada ser\u00e1 publicada no pr\u00f3ximo n\u00famero da Bodisatva. Estes textos nos ajudaram (a todos aqui no Sul) muito a compreender que seu aspecto \u201cm\u00e1gico\u201d tamb\u00e9m se reduz ao \u201cvazio\u201d e a criar uma ponte mental e realizar uma desobstru\u00e7\u00e3o que se materializou recentemente na vinda de S.S. o Dalai Lama a Porto Alegre. Sem essa desobstru\u00e7\u00e3o n\u00e3o ter\u00edamos a convic\u00e7\u00e3o e a compreens\u00e3o da import\u00e2ncia deste evento e n\u00e3o ter\u00edamos trabalhado e insistido a ponto de receb\u00ea-lo.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em><\/em><em>Em janeiro de 1989 tomamos ref\u00fagio Soto Zen, fizemos o \u201crakussu\u201d, recebemos nossos nomes religiosos com o grande mestre Soto Zen Narazaki Roshi, no mosteiro de Ibira\u00e7u, dirigido por Kogaku Daiju San (Cristiano Bitti). Aqui no Sul, onze pessoas foram iniciadas como leigos budistas. Havia mais de cem pessoas no evento, entre elas, Lia Diskin, Odete Lara e tamb\u00e9m o Lincoln Berkeley (tenho a lista completa dos nomes). A pessoa mais jovem foi a Viviane Sabbado, que foi iniciada aos 15 anos de idade. Daqui do sul, tamb\u00e9m foram iniciados como leigos: Celso Marques, Eleara Manfredi, Cinthia Sabbado (hoje, Cinthia Sabbado Aveline), Jo\u00e3o Graff, Maria da Paz Ceppas de Carvalho Peixoto, Maria Carbonell Alvarez, Jos\u00e9 Fonseca e Suzana Rodrigues. Ofereceram tamb\u00e9m o \u201crakussu\u201d por\u00e9m, sem estarem presentes, a T\u00e2nia Lohman (que o deu ao Kahner San) e o Maur\u00edcio Alves Sabbado. Passamos sete dias em Ibira\u00e7\u00fa. Nessa \u00e9poca quando o mestre Narazaki Roshi esteve tamb\u00e9m em S\u00e3o Paulo, recebeu em encontro especial a Kahner San.&nbsp;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em><\/em><em>A vinda de Narazaki Roshi ao Brasil foi um grande vento na hist\u00f3ria do Dharma. Para que tenhas ideia, tivemos uma viagem do mestre Narazaki de helic\u00f3ptero at\u00e9 uma comunidade japonesa no interior da Bahia, a convite do Governo do Estado do Esp\u00edrito Santo. O helic\u00f3ptero foi ao mosteiro busc\u00e1-lo. Foi a primeira vez que o mestre Narazaki veio ao Ocidente e ele s\u00f3 havia sa\u00eddo anteriormente do Jap\u00e3o para fazer uma viagem \u00e0 \u00cdndia.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Neste mesmo ano de 1989, tivemos novamente sesshins. Em 1988, tivemos um que durou oito dias, no Rodeio Bonito. Na segunda metade de 1989, organizamos (atrav\u00e9s do nosso C.E.B.) dois grandes eventos geminados, sob o t\u00edtulo Ciclo de Estudos sobre o Pensamento Budista. Um teve a dura\u00e7\u00e3o de dois meses e meio e tratou da exposi\u00e7\u00e3o do Dharma por muitas e diferentes pessoas, entre elas Ryotan Tokuda, Alexander Berzin, Lia Diskin, Lincoln Berkely, Celso Marques, Gehrard Kahner, Alfredo Aveline, Alberto Brum de Souza, Ricardo Lindemann, Jorge Preiss, Gustavo Correia Pinto e Antonio Renato Henriques. Outro evento geminado a este teve a dura\u00e7\u00e3o de duas semanas e contou com a participa\u00e7\u00e3o de v\u00e1rios professores da UFRGS, do Departamento de Filosofia, debatendo a rela\u00e7\u00e3o do Dharma com o pensamento ocidental. Nesses debates participaram Tokuda San, Berzin e Aveline. Foram eventos memor\u00e1veis, extraordin\u00e1rios. Tivemos uma m\u00e9dia de 80 pessoas nesses dias todos. Em alguns dias, bem mais ainda. Como resultado, estamos publicando as palestas do monge Tokuda na Revista Bodisatva e publicamos o livro do professor Berzin. O C.E.B. estava paulatinamente tomando corpo. J\u00e1 tinha uma fun\u00e7\u00e3o, estava operando, cumpria uma necessidade, ia ao encontro do interesse das pessoas, uma porta de contato com as pessoas estava se abrindo.&nbsp;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em><\/em><em>Nesta mesma \u00e9poca, em outubro de 1989, est\u00e1vamos completando a obra da sala de zazen da Rua Bar\u00e3o do Cerro Largo. Ainda n\u00e3o hav\u00edamos praticado nenhuma vez l\u00e1. Eis que chega Tokuda San. Tudo novo. O tangka do Buda Shakyamuni, tudo arrumado e chega o monge Tokuda. Entra pela porta principal e faz tr\u00eas prostra\u00e7\u00f5es. Foi muito emocionante v\u00ea-lo reconhecer o lugar. Levanta-se e diz: \u201cEste local j\u00e1 tem vibra\u00e7\u00e3o\u201d. Nunca hav\u00edamos praticado ali mas j\u00e1 tinha vibra\u00e7\u00e3o. Logo ele consagrou o local e deu-lhe o nome de \u201cSanguen Doj\u00f4\u201d, que significa \u201cLocal Para a Pr\u00e1tica da Verdade Mais Profunda e Sutil\u201d. Isso foi um est\u00edmulo extraordin\u00e1rio para n\u00f3s e passamos a praticar todas as madrugadas, em grupo, no local, o que se prolongou at\u00e9 a minha nova mudan\u00e7a para o Rodeio Bonito onde estou residindo agora, a partir de mar\u00e7o de 1990.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em><\/em><em>Exatamente um ano depois, no exato dia do primeiro anivers\u00e1rio do Sanguen Doj\u00f4, em outubro de 1990, estavam em Porto Alegre e presentes no Doj\u00f4 Soto Zen o secret\u00e1rio de S.S. o Dalai Lama em Nova York, Rinchen Dharlo, o secret\u00e1rio de S.S. o Dalai Lama em Dharamsala e ex-presidente do Parlamento Tibetano No Ex\u00edlio, Lodi Gyari, al\u00e9m de Lia Diskin e Odete Lara. Foi uma casualidade e uma grande alegria para n\u00f3s. Nesta oportunidade, colhemos as primeiras assinaturas para a funda\u00e7\u00e3o formal do C.E.B. Mais adiante tivemos que dar outra reda\u00e7\u00e3o ao texto e esse texto e essas assinaturas ficaram apenas para nossos arquivos.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em><\/em><em>Em 1990, seguimos as pr\u00e1ticas e foi fundada a Revista Bodisatva por iniciativa de Jos\u00e9 Fonseca e Ana Elisa Prates que a conceberam e pediram minha colabora\u00e7\u00e3o. O primeiro exemplar foi realizado por uma editora particular e publicado pela F.E.E.U., Funda\u00e7\u00e3o Educional e Editorial Universalista. Os tr\u00eas n\u00fameros seguintes j\u00e1 foram feitos no Rodeio Bonito, com os computadores da Editora Paramita e com parte da digita\u00e7\u00e3o tendo sido feita pelo Jos\u00e9 Fonseca em seu pr\u00f3prio computador.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em><\/em><em>A revista ajudou muito na aproxima\u00e7\u00e3o de pessoas e no trabalho de divulgar os textos, palestras, etc e \u00e9 a fonte econ\u00f4mica principal do C.E.B. Temos muitos trabalhos que podem ser publicados na revista e em livros atrav\u00e9s da F.E.E.U.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em><\/em><em>No momento, v\u00e1rias pessoas est\u00e3o gerando textos atrav\u00e9s de tradu\u00e7\u00f5es e estudos como a T\u00e2nia Lohmann com o trabalho nos textos do monge Zen Coreano Dai San Sanin, de Enio Burgos (professor, f\u00edsico, estudante de Medicina) sobre medicina tibetana (que \u00e9 de grande import\u00e2ncia), de Maria Esther Scop, Ivone Agostini e Dulce R\u00fccker em temas diversos, de Jos\u00e9 Fonseca no Shobo Guenzo, do mestre Doguen. Vemos que esse trabalho \u00e9 enorme e \u00e9 importante que os tradutores encontrem nos textos seu pr\u00f3prio interesse central de estudo e pr\u00e1tica.&nbsp;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em><\/em><em>Em julho de 1991, Cinthia e eu fundamos a Editora Paramita, que n\u00e3o tem nenhuma vincula\u00e7\u00e3o formal com o C.E.B., e publicamos o livro com as palestras do professor Berzin: Cora\u00e7\u00e3o-e-Mente. Hoje nossa atividade econ\u00f4mica principal est\u00e1 se transformando inteiramente no trabalho da Editora, atrav\u00e9s da qual realizamos trabalhos de editora\u00e7\u00e3o eletr\u00f4nica para a F.E.E.U. o que est\u00e1 possibilitando uma vida mais voltada ao estudo e \u00e0 pr\u00e1tica de medita\u00e7\u00e3o.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>No final de 1991, elegemos a primeira diretoria efetivamente representativa do C.E.B. Temos todos os cargos preenchidos e um estatuto em vigor. H\u00e1 entusiasmo, h\u00e1 recursos financeiros adequados. Estamos com v\u00e1rios planos. O n\u00famero de doj\u00f4s Soto Zen em Porto Alegre se multiplicou, agora s\u00e3o quatro: O do Celso Marques, o da Bar\u00e3o do Cerro Largo, o do Petr\u00facio Chalegre e o do Urbano R\u00fccker. Quase todos os dias da semana est\u00e3o cobertos. Na Bar\u00e3o do Cerro Largo temos zazen nas quartas e sextas-feiras \u00e0s 19h30 onde v\u00eam aproximadamente de 12 a 16 pessoas, e no s\u00e1bado pela manh\u00e3 \u00e0s 5h30 onde temos em torno de 8 a 10 pessoas. Durante o restante da manh\u00e3 de s\u00e1bado, estudamos a \u201cVacuidade\u201d e os Sutras Surangama e Lankavatara. \u00c0 tarde, na GFU (sede da Grande Fraternidade Universal) das 15 \u00e0s 17h, zazen e estudos com umas 30 pessoas no primeiro encontro, s\u00e1bado passado.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Uma vez por m\u00eas, uma palestra sobre o Budismo segundo a abordagem de S.S. o Dalai Lama, ocasi\u00e3o em que estou come\u00e7ando a apresentar as palestras introdut\u00f3rias de S.S. no Kalachakra de 1989 nos Estados Unidos, tiradas das fitas que estou transcrevendo. Em outubro de 1991 estive em Nova York para participar da cerim\u00f4nia e inicia\u00e7\u00e3o de Kalachakra e dos cursos preparat\u00f3rios e inicia\u00e7\u00f5es oferecidos pelos l\u00edderes das v\u00e1rias linhagens tibetanas, inclusive o Bon. Foi um evento extraordin\u00e1rio, pela primeira vez na hist\u00f3ria do Dharma, uma reuni\u00e3o semelhante e numa cidade do Ocidente, em Nova York. L\u00e1 pude assistir \u00e0s aulas de todos os grande mestres tibetanos que estavam representando as diferentes linhagens: Ven. Lati Rinpoche (Gelugpa), Ven. Trulshik Rinpoche (Nyingmapa), por quem senti imediata empatia e que concordou em receber-me em treinamento no Nepal, Ven. Tenga Rinpoche (Kagyupa), Ven. Kyabje Sakya Tenzin Rinpoche (Sakyapa), Ven. Lopon Tenzin Namdhak Rinpoche (Bon) e Sua Santidade, o Dalai Lama, reverenciado e assistido por todos os mestres presentes, inclusive monges Zen, que deu aulas admir\u00e1veis. Estava tamb\u00e9m presente e deu uma palestra admir\u00e1vel Sogyal Rinpoche (Nyingmapa). Anotei tudo que pude e espero publicar parte disso na Bodisatva.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em><\/em><em>Seria dif\u00edcil expressar o universo que se descortinou l\u00e1. Havia muitos monges que vieram de todas as partes dos Estados Unidos e do Canad\u00e1, e v\u00e1rios de outras partes do mundo. Do Brasil, tr\u00eas pessoas. N\u00e3o posso ainda avaliar as consequ\u00eancias futuras de tal evento pois sinto que seu desenrolar \u00e9 acionado em n\u00edveis muito sutis onde a racionalidade n\u00e3o consegue penetrar sem graves distor\u00e7\u00f5es, mas sinto algo grandioso e transformador. O que foi gratificante foi a grande unidade do Dharma. Todos falam o mesmo Dharma ainda que haja diferen\u00e7as nos m\u00e9todos pr\u00e1ticos. Talvez no Ocidente se d\u00ea a grande aproxima\u00e7\u00e3o de todas as linhagens budistas tradicionais em uma pr\u00e1tica sem fronteiras. Se o Budismo reconhece a unidade de todas as coisas por que n\u00e3o haveria de reconhecer tamb\u00e9m a unidade da pr\u00e1tica do Dharma? Isso ficou para a nossa gera\u00e7\u00e3o.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em><\/em><em>Estamos pensando em organizar uma funda\u00e7\u00e3o e coletar fundos que possibilitem mandar pessoas para o exterior e receber pessoas de fora em programas regulares. Queremos trabalhar de forma mais e mais s\u00e9ria, respons\u00e1vel e adequada. Sentimos a import\u00e2ncia de auxiliar a passagem do Dharma do Oriente ao Ocidente e o grande benef\u00edcio que isso pode representar para todas as pessoas. Entre os nossos sonhos est\u00e1 tamb\u00e9m a constru\u00e7\u00e3o de um pr\u00e9dio novo em conjunto com outras entidades.&nbsp;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em><\/em><em>Em junho de 1992, recebemos Sua Santidade o XIV Dalai Lama, Tenzin Gyatso em Porto Alegre. Foi extraordin\u00e1rio pelo grande est\u00edmulo que todos recebemos e tamb\u00e9m pelo fato de que Sua Santidade abriu as portas do mundo oficial e do p\u00fablico em geral ao Budismo, numa escala muito mais ampla.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em><\/em><em>N\u00e3o somos mais estranhos.&nbsp;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em><\/em><em>Wilson, recebe nosso abra\u00e7o e nossas sauda\u00e7\u00f5es especiais. No Dharma, com carinho,<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Alfredo Aveline<\/em><br><em>Centro de Estudos Budistas (C.E.B.)<\/em><\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Prezado Wilson, Gostaria muito de j\u00e1 ter te respondido antes. Conforme solicitado, enviamos os exemplares da revista Bodisatva para a Marisa e o Wilmar Galbarino, aqui em Porto Alegre, bem como para a Nilda e o Victor Pritsch, l\u00e1 em Rio Pardo. 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