{"id":13786,"date":"2024-06-20T08:50:50","date_gmt":"2024-06-20T11:50:50","guid":{"rendered":"https:\/\/acaoparamita.com.br\/?p=13786"},"modified":"2024-06-20T09:20:01","modified_gmt":"2024-06-20T12:20:01","slug":"todos-os-caminhos-vem-do-zen","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaoparamita.com.br\/en\/todos-os-caminhos-vem-do-zen\/","title":{"rendered":"Todos os Caminhos v\u00eam do Zen"},"content":{"rendered":"\n<p>Este artigo, escrito por Cristina Rocha em 2008 e veiculado na Nanzan University, relata a hist\u00f3ria do Budismo no Brasil desde os anos 50 com Takashina Roshi. Destacam-se descri\u00e7\u00f5es sobre Tokuda San, Khaner San, Alfredo Aveline (conhecido como Lama Padma Samten), Arthur Shaker, assim como a influ\u00eancia de Moriyama Roshi Daiju San, Ricardo Sasaki, e outros personagens significativos. Leia o artigo completo em portugu\u00eas traduzido por Rafaela de Paula. <a href=\"https:\/\/acaoparamita.com.br\/o-desenvolvimento-do-budismo-zen-no-brasil\/\">Encontre aqui o texto original em ingl\u00eas.<\/a><\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:28px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<div style=\"height:28px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p><strong>Todos os Caminhos v\u00eam do Zen:<\/strong> Busshinji como uma Refer\u00eancia para o Budismo<br><strong>Autora:<\/strong> Cristina Rocha<br><strong>Source:<\/strong> Japanese Journal of Religious Studies, Vol. 35, No. 1 (2008), pp. 81-94<br><strong>Published by:<\/strong> Nanzan University<br><strong>Stable URL:<\/strong> http:\/\/www.jstor.org\/stable\/3023450<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:28px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<div style=\"height:28px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p><em>Este artigo explora o papel hist\u00f3rico do templo Busshinji como um centro de Budismo no Brasil para n\u00e3o-descendentes de japoneses. O Busshinji foi estabelecido pelo S\u014dt\u014dsh\u016b como um betsuin (templo matriz) na cidade de S\u00e3o Paulo em 1996. Valendo-me de entrevistas com os primeiros adeptos, eu pretendo argumentar que muitos a princ\u00edpio frequentaram o Busshinji como se ele fosse o \u00fanico templo budista oferecendo medita\u00e7\u00e3o em S\u00e3o Paulo. Para esses seguidores, este foi seu primeiro contato com o budismo. Muitos sa\u00edram posteriormente para se tornarem figuras de lideran\u00e7a em outras escolas budistas no Brasil. \u00c9, portanto, minha tese que o Busshinji desempenhou um papel hist\u00f3rico significativo na expans\u00e3o do budismo no Brasil.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><strong>PALAVRAS-CHAVE:<\/strong> S\u014dt\u014dsh\u016b \u2014 Busshinji \u2014 brasileiros n\u00e3o-descendentes de japoneses<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Cristina Rocha<\/strong> \u00e9 uma bolsista de p\u00f3s-doutorado do Conselho de Pesquisa Australiano no Centro de Pesquisa Cultural, da Universidade de Sydney Ocidental.<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:28px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p><strong>E<\/strong>m setembro de 1955, R\u014dsen Takashina R\u014dshi visitou o Brasil por tr\u00eas meses, viajando extensamente por diversas cidades onde imigrantes japoneses se estabeleceram nos estados de S\u00e3o Paulo e Paran\u00e1, situados no sul do Brasil. Naquele tempo, ele era o <em>zenji<\/em> (abade) respons\u00e1vel por ambos os principais monast\u00e9rios da Escola S\u014dt\u014dsh\u016b: Eiheiji (localizado na Prefeitura Fukui) e Sojiji (em Yokohama). Takashina veio ao Brasil a convite daqueles migrantes japoneses adeptos da S\u014dt\u014dshu que desejavam ter um templo em seu novo pa\u00eds. At\u00e9 a Segunda Guerra Mundial, imigrantes japoneses ainda pretendiam retornar ao Jap\u00e3o uma vez que tivessem adquirido riqueza suficiente. No entanto, quando o Jap\u00e3o perdeu a guerra eles tiveram de repensar seus planos e se estabeleceram permanentemente no Brasil. Al\u00e9m disso, depois da guerra, o governo brasileiro suspendeu a proibi\u00e7\u00e3o da vinda de miss\u00f5es budistas japonesas oficiais para o Brasil. Dado esse clima, Takashina n\u00e3o estava sozinho ao fazer uma longa viagem para o Brasil com a expectativa de estabelecer a miss\u00e3o nos anos de 1950. Outras escolas budistas tradicionais como a J\u014ddosh\u014d, J\u014ddo Shinsh\u016b, Shingonsh\u016b e Nichirensh\u016b enviaram miss\u00f5es oficiais para o Brasil neste mesmo per\u00edodo. Entretanto, diferentemente de outras religi\u00f5es japonesas, a S\u014dt\u014dsh\u016b teria rapidamente um apelo para um inesperado grupo de seguidores: brasileiros n\u00e3o-descendentes de japoneses.<\/p>\n\n\n\n<p>Em outubro de 1956, S\u014dt\u014dsh\u016b enviou Shing\u016b R\u014dshi para o Brasil para ser o primeiro <em>s<\/em><em>\u014d<\/em><em>kan<\/em> (Superintendente-Geral) da Am\u00e9rica do Sul. Ele estava ali para estabelecer o templo Busshinji como o <em>betsuin<\/em> (a sede da miss\u00e3o) em S\u00e3o Paulo. Este trabalho explora o papel hist\u00f3rico do templo Busshinji como um centro de budismo no Brasil para n\u00e3o-descendentes de japoneses. Valendo-me de entrevistas com os primeiros adeptos, eu argumento que muitos desses seguidores foram pela primeira vez ao Busshinji como se ele fosse o \u00fanico templo budista que oferecesse medita\u00e7\u00e3o em S\u00e3o Paulo. Para eles, o Busshinji foi o primeiro ponto de contato com o budismo. Muitos depois deixaram o Busshinji para se tornar figuras de lideran\u00e7a de outras escolas budistas no pa\u00eds. Assim, \u00e9 minha tese que o Busshinji desempenhou um papel hist\u00f3rico significativo na expans\u00e3o do budismo no Brasil.<\/p>\n\n\n\n<p>Desde o in\u00edcio, os mission\u00e1rios S\u014dt\u014dsh\u016b trabalharam na expans\u00e3o da miss\u00e3o entre brasileiros descendentes de japoneses. Eles viajaram para o interior, onde muitos imigrantes japoneses viviam, para conduzir funerais e memoriais, e para ensinar a l\u00edngua japonesa e a cultura.<sup data-fn=\"dfe303eb-366b-40e4-9040-76c44b03c56b\" class=\"fn\"><a href=\"#dfe303eb-366b-40e4-9040-76c44b03c56b\" id=\"dfe303eb-366b-40e4-9040-76c44b03c56b-link\">1<\/a><\/sup> Ao mesmo tempo, no final dos anos 1950 e 60, alguns brasileiros n\u00e3o-descendentes de japoneses liam sobre o Zen em artigos de jornal escritos por um correspondente brasileiro no exterior, do jornal di\u00e1rio <em>Jornal do Brasil<\/em>, que o escrevia desde a cidade de Nova Iorque. Outros acompanhavam o desenvolvimento de um importante movimento po\u00e9tico brasileiro chamado Concretista.<\/p>\n\n\n\n<p>Esses poetas foram influenciados pela obra de Ernest FENOLLOSA (1853-1908) <em>The Chinese Written Character<\/em> (1968), pelos escritos do poeta americano Ezra Pound (1885-1972) e pelo Simbolismo Franc\u00eas. Eles defendiam uma poesia visual onde a maneira como as palavras aparecem no papel seria t\u00e3o importante em expressar ideias quanto o seu significado, ritmo e rima. Para os concretistas, tal poesia visual atingia seu \u00e1pice no caractere japon\u00eas. Esse movimento ent\u00e3o trouxe ideias orientalistas do Jap\u00e3o e do Zen para brasileiros instru\u00eddos. Em 1961, <em>Introdu\u00e7\u00e3o ao Zen Budismo<\/em>, por D.T. Suzuki, foi publicado em portugu\u00eas. Uma vez que brasileiros n\u00e3o-descendentes de japoneses come\u00e7aram a ler sobre o Zen, seja em jornais, livros escritos por autores americanos da gera\u00e7\u00e3o Beat ou atrav\u00e9s da poesia, eles come\u00e7aram a buscar o Busshinji, o \u00fanico templo Zen urbano no Brasil localizado em S\u00e3o Paulo.<\/p>\n\n\n\n<p>Confrontados com um grupo de falantes n\u00e3o-descendentes, o <em>s<\/em><em>\u014d<\/em><em>kan<\/em> estabeleceu um grupo de zazen para atender as necessidades desses n\u00e3o-falantes em 1961. Mas ele n\u00e3o falava portugu\u00eas e portanto tinha acesso limitado aos brasileiros n\u00e3o-descendentes de japoneses. Sendo assim, Ricardo Gon\u00e7alves, um brasileiro n\u00e3o-descendente de japoneses que aprendeu japon\u00eas atrav\u00e9s da amizade com nipo-brasileiros na inf\u00e2ncia, foi apontado para traduzir e dar assist\u00eancia ao <em>s<\/em><em>\u014d<\/em><em>kan<\/em>. Ele se tornou o primeiro brasileiro n\u00e3o-descendente de japon\u00eas a receber ordena\u00e7\u00e3o completa. Gon\u00e7alves trabalhou no Busshinji de 1961 a 1972, auxiliando em memoriais e funerais bem como atuando como tradutor oficial para o Shing\u016b Roshi. Refletindo sobre sua experi\u00eancia passada, Gon\u00e7alves nota como o budismo no Brasil esteve profundamente conectado \u00e0s miss\u00f5es japonesas. De acordo com Gon\u00e7alves, era o interesse no Zen nos Estados Unidos e na Europa que despertou o interesse nos brasileiros n\u00e3o-descendentes de japoneses. Gon\u00e7alves nota que,<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p><em><span class=\"highlight\"><mark style=\"background-color:#abb8c3\" class=\"has-inline-color\">Quando eu me tornei interessado no budismo, no final dos anos 50, a \u00fanica porta para o budismo eram as miss\u00f5es japonesas na cidade de S\u00e3o Paulo\u2026 Dos anos 1960 em diante eu comecei a frequentar o templo Busshinji, a sede oficial da escola S\u014dt\u014d Zen, dirigida por Shing\u016b Roshi. Nos Estados Unidos e Europa, o Zen era muito popular e, como consequ\u00eancia, essa miss\u00e3o foi a primeira organiza\u00e7\u00e3o budista a ultrapassar as fronteiras da comunidade imigrante japonesa para alcan\u00e7ar brasileiros n\u00e3o-descendentes de japoneses.<\/mark><\/span><\/em><\/p>\n<cite><em><span class=\"highlight\"><mark style=\"background-color:#abb8c3\" class=\"has-inline-color\">(GON\u00c7ALVES 2005, marca\u00e7\u00e3o it\u00e1lica minha)<\/mark><\/span><\/em><\/cite><\/blockquote>\n\n\n\n<p>Em setembro de 1965, Takashina retornou ao Brasil para celebrar uma d\u00e9cada de trabalho mission\u00e1rio ali. Essa visita foi noticiada em jornais locais e coincidiu tanto com a celebra\u00e7\u00e3o do quarto centen\u00e1rio da cidade do Rio de Janeiro quanto com o crescente interesse no Zen entre os brasileiros e seu prest\u00edgio no exterior. Ele foi recebido como \u201cum embaixador da boa vontade cultural do mundo do budismo japon\u00eas\u201d (SOTOSHU SHUMUCHO 2000,15). Isso indica que, em contraste com outras escolas budistas, que estiveram pr\u00f3ximas dos n\u00e3o-falantes de japon\u00eas, o Zen atraiu o interesse da ampla sociedade brasileira praticamente desde o seu in\u00edcio.<\/p>\n\n\n\n<p>Esse fen\u00f4meno foi fortalecido quando, em 1968, Ryotan Tokuda, um novo <em>kaikyoshi<\/em> (mission\u00e1rio no exterior) interessado em trabalhar com brasileiros n\u00e3o-descendentes de japoneses, chegou no Busshinji. Ainda que ele fosse uma figura de pouco destaque no templo, que ensinava japon\u00eas para crian\u00e7as na escola do templo, Tokuda desempenhou um papel central na propaga\u00e7\u00e3o do Zen entre brasileiros n\u00e3o-descendentes de japoneses. Aprender a falar portugu\u00eas e ensinar zazen e a doutrina para brasileiros n\u00e3o-descendentes de japoneses contribuiu para seu extraordin\u00e1rio relacionamento com seguidores n\u00e3o-japoneses. Eu tratei longamente da vida e ideias de Tokuda em outro lugar (ROCHA 2006, 45-48 e 58-60), mas aqui eu gostaria de me voltar para o seu trabalho com seus disc\u00edpulos. Muitos desses disc\u00edpulos tiveram seu primeiro contato com a pr\u00e1tica Zen de fato atrav\u00e9s de Tokuda e ainda hoje ainda s\u00e3o seguidores do Zen. Para outros, Tokuda foi uma importante porta de entrada para o budismo; isto \u00e9, enquanto alguns se tornaram seguidores de Tokuda e do Zen, outros se tornaram seguidores de outras escolas budistas.<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:28px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><em><strong>Viajando para o Sul<\/strong><\/em><\/h2>\n\n\n\n<p>Como outros <em>kaikyoshi<\/em> no Brasil, Tokuda trilhou o caminho de propagar a palavra. Ao contr\u00e1rio deles, entretanto, Tokuda n\u00e3o foi a cidades habitadas por imigrantes japoneses. Entre outras regi\u00f5es no Brasil, ele frequentou o estado mais ao sul do pa\u00eds para ensinar para brasileiros n\u00e3o-descendentes de japoneses: de 1972 a 1975 ele fez viagens bimestrais a Porto Alegre, a capital do Rio Grande do Sul. Convidado pelo propriet\u00e1rio de uma escola de artes marciais, Tokuda passou semanas ensinando e conduzindo sess\u00f5es de <em>zazen<\/em>, supervisionando tr\u00eas <em>sesshins<\/em> durante aquele per\u00edodo. Em 1998, quando eu realizei entrevistas com o grupo ViaZen de Porto Alegre, Jo\u00e3o Graff, um dos propriet\u00e1rios da escola, ainda estava l\u00e1 praticando o Zen. Ele afirmou que depois de 1975, quando Tokuda parou de vir, outro monge ordenado de Busshinji, um alem\u00e3o-brasileiro chamado Gerhard Kahner assumiu o lugar dele. Kahner foi ordenado por Takashina durante a sua segunda visita ao Brasil em 1965. Ele foi um dos mais respeit\u00e1veis disc\u00edpulos de Shing\u016b R\u014dshi. Nos anos seguintes, ele continuou a viajar para Porto Alegre e ensinar o Zen para as pessoas, que eventualmente estabeleceram o Grupo Zen. Depois que se aposentou, mudou-se para Porto Alegre para trabalhar com eles.<\/p>\n\n\n\n<p>Particularmente importante para esse grupo foi a presen\u00e7a de Alfredo Aveline, um professor de f\u00edsica na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) de 1969 a 1994. Ele logo se tornaria uma figura chave no Zen e posteriormente no budismo tibetano em Porto Alegre. Ele foi ordenado leigo em 1989. No mesmo ano, enquanto dirigia atividades do grupo Zen, ele organizou um curso sobre budismo na UFRGS. Tokuda foi convidado para uma palestra, e tamb\u00e9m inaugurou o Sangen Zend\u014d, a sede do grupo Zen. Aveline traduziu sutras e deu palestras em v\u00e1rios lugares fora da universidade. Um desses lugares foi a sede local da Grande Fraternidade Universal (GFU), uma doutrina ocultista fundada em 1948 por Frenchman Serge Raynaud. \u00c9 not\u00e1vel que, em 1998, um dos fundadores do grupo ViaZen me contou que \u201ca maioria da sangha veio do GFU\u201d. \u00c9 bem conhecido que o budismo no ocidente est\u00e1 associado ao movimento Nova Era (CUSH 1996; LOPEZ 1995; BELLAH 1976). O mesmo \u00e9 verdadeiro para o Brasil, um pa\u00eds onde o movimento Nova Era tem uma for\u00e7a not\u00e1vel. De fato, um pesquisador norte-americano de religi\u00e3o no Brasil descreveu a realidade da Nova Era californiana como branda em compara\u00e7\u00e3o com a brasileira (HESS 1991). Por isso, n\u00e3o \u00e9 surpresa que a maior parte dos seguidores do Zen em Porto Alegre tamb\u00e9m participaram das atividades do GFU.<sup data-fn=\"86b9ff22-ceae-46d5-8f68-e6b803233d3f\" class=\"fn\"><a href=\"#86b9ff22-ceae-46d5-8f68-e6b803233d3f\" id=\"86b9ff22-ceae-46d5-8f68-e6b803233d3f-link\">2<\/a><\/sup><\/p>\n\n\n\n<p>As palestras de Aveline foram fundamentais para despertar o interesse em uma nova gera\u00e7\u00e3o de praticantes Zen no sul do Brasil. Em 1994, entretanto, Aveline deixou o Zen e se tornou um adepto do budismo tibetano, mas sua mudan\u00e7a de uma escola budista para outra come\u00e7ou ainda antes. Aveline participou do <em>Kalachakra<\/em> oferecido pelo Dalai Lama na cidade de Nova Iorque em 1991, e no ano seguinte ajudou a organizar a visita do Dalai Lama ao Brasil. Ele finalmente deixou o Zen para se tornar um disc\u00edpulo de Chagdud Rinpoche quando o Rinpoche se mudou para Porto Alegre. Em 1996, Aveline foi novamente ordenado, dessa vez como o primeiro Lama brasileiro da Escola Nyingma, recebendo o nome de Padma Samten. Atualmente, Aveline est\u00e1 ativamente propagando o budismo tibetano pelo Brasil.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 digno de nota que no Brasil e em muitos pa\u00edses ocidentais, seguidores do budismo podem participar de mais de uma escola por vez. Em contraste com os pa\u00edses asi\u00e1ticos, onde apenas um ve\u00edculo se estabeleceu, no Ocidente h\u00e1 um \u201cbuf\u00ea\u201d de escolas, frequentemente devido \u00e0 migra\u00e7\u00e3o de diferentes pa\u00edses asi\u00e1ticos. Al\u00e9m disso, muitos ocidentais s\u00e3o encorajados a escolher entre v\u00e1rias religi\u00f5es, comumente levando a uma mistura de ideias. A modernidade no que diz respeito \u00e0 religi\u00e3o veio a significar a pluraliza\u00e7\u00e3o e a privatiza\u00e7\u00e3o da f\u00e9; por isso, para muitos, a religi\u00e3o se tornou uma escolha privada (ver ROOF 1999). Finalmente, h\u00e1 uma forte no\u00e7\u00e3o no Ocidente de que o budismo tem uma ess\u00eancia comum, e que diferentes escolas est\u00e3o apenas promovendo diferentes formas de praticar os mesmos ensinamentos (ver BAUMANN 2001 e ROCHA 2006, 39-42). Isso est\u00e1 claro nas palavras de Aveline:<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p><mark style=\"background-color:#abb8c3\" class=\"has-inline-color\"><em>Eu acredito que essa liberdade me permitiu participar dos ensinamentos tibetanos mesmo estando naquele tempo \u00e0 frente do grupo Zen. Eu nunca vi isso como uma ruptura, e mesmo hoje examinando os ensinamentos Zen eu os reconhe\u00e7o como t\u00e3o perfeitos e maravilhosos quanto. Eu lembro de Tokuda-san com carinho. Ele me visitou aqui no meu centro budista no ano passado.<\/em> <\/mark><\/p>\n<cite><em><mark style=\"background-color:#abb8c3\" class=\"has-inline-color\">(VERISSIMO 2000)<\/mark><\/em><\/cite><\/blockquote>\n\n\n\n<p>De fato, outro membro do ViaZen entrevistado por mim notou que:<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p><mark style=\"background-color:#abb8c3\" class=\"has-inline-color\"><em>Eu venho praticando [o Zen] por um ano, mas eu n\u00e3o tomei ref\u00fagio ainda. Eu comecei a praticar o budismo tibetano com o Aveline dois anos atr\u00e1s e fui ordenado l\u00e1. Ent\u00e3o eu tenho um ano de Zen e dois de budismo tibetano. Eu gosto de ambos os caminhos. A t\u00e9cnica \u00e9 diferente, mas o caminho \u00e9 apenas um. Eu fui atra\u00eddo pela simplicidade do Zen, mas eu pretendo seguir praticando em ambas as escolas.<\/em><\/mark><\/p>\n<cite><mark style=\"background-color:#abb8c3\" class=\"has-inline-color\"><em>(Comunica\u00e7\u00e3o pessoal, fevereiro 1998)<\/em><\/mark><\/cite><\/blockquote>\n\n\n\n<p>Quando Aveline saiu, Daigy\u014d Moriyama Roshi (o <em>s<\/em><em>\u014d<\/em><em>kan<\/em> para a Am\u00e9rica do Sul designado pela S\u014dt\u014dsh\u016b para o per\u00edodo de 1993 a 1995) come\u00e7ou a viajar para Porto Alegre. Com base no Busshinji, Moriyama frequentemente ia l\u00e1, conduzindo <em>sesshins<\/em> duas vezes ao ano. Em um primeiro momento, ele seguiu os passos de Tokuda, oferecendo conversas e ensinando <em>zazen<\/em> na UFRGS, GFU e a escola de artes marciais onde muitos praticaram sob orienta\u00e7\u00e3o de Tokuda. No entanto, depois de deixar seu posto como <em>s<\/em><em>\u014d<\/em><em>kan<\/em> no Busshinji em 1995, Moriyama se mudou para Porto Alegre para liderar sua sangha. Ele retornou para o Jap\u00e3o em 2005.<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:28px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><em><strong>Viajando para o Norte<\/strong><\/em><\/h2>\n\n\n\n<p>No come\u00e7o, novos seguidores de outros estados viriam para o Busshinji em S\u00e3o Paulo para praticar <em>zazen<\/em>. Entretanto, uma vez que eles estabeleceram uma conex\u00e3o com os mission\u00e1rios de l\u00e1, particularmente com o falante de portugu\u00eas Tokuda, muitos tentaram criar grupos locais de <em>zazen<\/em> em seus pr\u00f3prios estados. Depois de estabelecidos esses grupos, eles ent\u00e3o convidariam Tokuda para vir e ensinar.<\/p>\n\n\n\n<p>Depois de uma s\u00e9rie de conflitos na metade dos anos 1970, Tokuda deixou o Busshinji, mas ele n\u00e3o deixou o Brasil. Ele come\u00e7ou a se mover independentemente com seus seguidores brasileiros n\u00e3o-descendentes de japoneses. Seu trabalho foi fundamental na propaga\u00e7\u00e3o do Zen japon\u00eas nos estados ao norte de S\u00e3o Paulo, estabelecendo grupos e ordenando adeptos em Ibira\u00e7\u00fa (Esp\u00edrito Santo), Belo Horizonte e Ouro Preto (Minas Gerais), Rio de Janeiro, Goi\u00e2nia (Goi\u00e1s), Bras\u00edlia (the national capital) e Recife (Pernambuco).<\/p>\n\n\n\n<p>Alguns de seus disc\u00edpulos eram t\u00e3o diligentes em suas pr\u00e1ticas que eles foram ao Jap\u00e3o para aprofundar seus estudos. Cristiano Daiju Bitti foi um desses disc\u00edpulos. No in\u00edcio dos anos 1970, ele estabeleceu uma comunidade hippie com dois outros amigos, Paulo Tainha e Anibal Jip\u014d, no pequeno vilarejo de Ibira\u00e7\u00fa (Esp\u00edrito Santo). Todos os tr\u00eas praticavam <em>zazen<\/em> e participavam do sesshin no Busshinji na metade dos anos 1970. Tokuda chegou a organizar para que dois deles praticassem Zen no Jap\u00e3o. Enquanto Paulo Tainha foi para o Jap\u00e3o por cinco anos consecutivos para participar no <em>ango<\/em>,<sup data-fn=\"54bf111f-3e07-4fcb-8106-5ddb34fdb3c3\" class=\"fn\"><a href=\"#54bf111f-3e07-4fcb-8106-5ddb34fdb3c3\" id=\"54bf111f-3e07-4fcb-8106-5ddb34fdb3c3-link\">3<\/a><\/sup> Cristiano Bitti treinou por cinco anos sob orienta\u00e7\u00e3o de Narazaki R\u014dshi no Zuy\u014dji (Prefeitura Shikoku). Ao retornar para o Brasil em 1983, Bitti se tornou abade do monast\u00e9rio do Morro da Vargem em Ibira\u00e7\u00fa. Em 1989, Narazaki R\u014dshi foi para o Brasil para visitar o monast\u00e9rio de Morro da Vargem onde ele ensinou e ordenou muitos seguidores leigos de S\u00e3o Paulo e Porto Alegre, incluindo Alfredo Aveline. Como o monast\u00e9rio foi constru\u00eddo no estilo japon\u00eas no meio da floresta tropical e em muitos sentidos segue a vida de um monast\u00e9rio japon\u00eas, o Morro da Vargem \u00e9 representativo do Zen para muitos brasileiros n\u00e3o-descendentes de japoneses. \u00c9 popular tamb\u00e9m na m\u00eddia impressa devido a suas caracter\u00edsticas impressionantes.<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:28px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><em><strong>Permanecendo no local: Busshinji como uma porta de entrada para o budismo<\/strong><\/em><\/h2>\n\n\n\n<p>Ricardo Gon\u00e7alves foi o primeiro brasileiro n\u00e3o-descendente de japoneses a ser ordenado no Busshinji, mas outros o seguiram. Seu colega de universidade, Eduardo Basto de Albuquerque, foi ordenado em 1966. Junto a Gehard Kahner, Albuquerque come\u00e7ou a conduzir sess\u00f5es de <em>zazen<\/em> no Busshinji em 1972, quando Gon\u00e7alves deixou a S\u014dt\u014dsh\u016b pela Shingon.<sup data-fn=\"9990a61a-2a4f-4074-a0c3-afde16ab422d\" class=\"fn\"><a href=\"#9990a61a-2a4f-4074-a0c3-afde16ab422d\" id=\"9990a61a-2a4f-4074-a0c3-afde16ab422d-link\">4<\/a><\/sup> Ainda que as coisas fossem dif\u00edceis por conta da falta de profici\u00eancia do tradutor, as sess\u00f5es de <em>zazen<\/em> para brasileiros n\u00e3o-descendentes de japoneses continuaram. De acordo com Basto de Albuquerque, com o objetivo de superar as dificuldades ocasionadas por sua falta de habilidade na l\u00edngua, Shing\u016b R\u014dshi daria ensinamentos em japon\u00eas, e ent\u00e3o um monge japon\u00eas falaria em japon\u00eas simples para um membro nipo-brasileiro do templo que iria, por sua vez, traduzir esses ensinamentos para o portugu\u00eas.<\/p>\n\n\n\n<p>Na metade dos anos 1970, Shing\u016b R\u014dshi teve uma s\u00e9rie de AVCs. Pelos pr\u00f3ximos dez anos, at\u00e9 a sua morte em 1986, ele esteve acamado. Durante esse per\u00edodo ele perdeu a capacidade de liderar e, ainda pior, deixou o templo sem um sucessor e portanto sem lideran\u00e7a. Busshinji n\u00e3o \u00e9 um templo comum no qual o filho primog\u00eanito herda a posi\u00e7\u00e3o do pai, mas um <em>betsuin<\/em>. Sucessores s\u00e3o portanto apontados pelo S\u014dt\u014dsh\u016b Sh\u016bmuch\u014d, o escrit\u00f3rio central do S\u014dt\u014dsh\u016b em Tokyo. Quando Shing\u016b R\u014dshi faleceu, levou tr\u00eas anos para a S\u014dt\u014dsh\u016b enviar um novo <em>s<\/em><em>\u014d<\/em><em>kan<\/em> para o Busshinji. Apesar dessa situa\u00e7\u00e3o dif\u00edcil, os brasileiros n\u00e3o-descendentes de japoneses continuaram a frequentar o Busshinji para praticar <em>zazen<\/em>. Um praticante afirmou:<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p><em><mark style=\"background-color:#abb8c3\" class=\"has-inline-color\">O templo foi abandonado. Era ainda a casa velha (antes da renova\u00e7\u00e3o) e o lugar n\u00e3o foi cuidado. A sala de medita\u00e7\u00e3o estava cheia de goteiras. Havia um monge que falava muito pouco de portugu\u00eas que vinha abrir a sala de medita\u00e7\u00e3o nos s\u00e1bados para n\u00f3s. Ele n\u00e3o falava portugu\u00eas com clareza, ent\u00e3o n\u00f3s n\u00e3o consegu\u00edamos desenvolver nosso conhecimento sobre os ensinamentos. A maioria das pessoas [nas medita\u00e7\u00f5es] eram brasileiras e n\u00e3o haviam sesshins. Havia muito pouco sobre o Zen em portugu\u00eas naquele tempo, ent\u00e3o n\u00f3s intercambi\u00e1vamos livros em ingl\u00eas.\u00a0<\/mark><\/em><\/p>\n<cite><em><mark style=\"background-color:#abb8c3\" class=\"has-inline-color\">(Comunica\u00e7\u00e3o pessoal, fevereiro 2000)<\/mark><\/em><\/cite><\/blockquote>\n\n\n\n<p>As coisas n\u00e3o melhoraram muito quando o novo <em>s<\/em><em>\u014d<\/em><em>kan<\/em> chegou em 1989. Aoki Shunry\u016b passou apenas dois anos no Brasil. Depois que sua casa foi roubada duas vezes, ele e sua fam\u00edlia decidiram ir embora. Portanto, provou-se dif\u00edcil substituir Shing\u016b R\u014dshi aos olhos da comunidade nipo-brasileira. De acordo com um adepto brasileiro n\u00e3o-descendente de japoneses que come\u00e7ou a praticar no templo em 1959,<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p><em><mark style=\"background-color:#abb8c3\" class=\"has-inline-color\">Shing\u016b R\u014dshi era importante em muitas frentes. Primeiro, ele desempenhava um papel simb\u00f3lico como um patriarca para a comunidade japonesa em S\u00e3o Paulo e segundo, ele era um l\u00edder cultural. Ele organizava eventos importantes do calend\u00e1rio budista, festivais culturais japoneses, a escola das crian\u00e7as, e atividades\u00a0para ajudar imigrantes de longa dura\u00e7\u00e3o e rec\u00e9m-chegados. Sua esposa cuidava da associa\u00e7\u00e3o de mulheres e das aulas de ikebana. Tanto ele quanto sua esposa trabalharam para manter a cultura japonesa para japoneses imigrantes. Terceiro, ele desempenhou extremamente bem o papel que a comunidade nipo-brasileira esperava dele. Ele oficiava funerais e memoriais em trajes finos de brocado e os rituais eram lindos. Ao fazer isso, ele recuperava a dignidade que os imigrantes japoneses mais velhos sentiam que haviam perdido ao migrar para o Brasil por conta da discrimina\u00e7\u00e3o.<\/mark><\/em><sup data-fn=\"f6f2043d-3830-4565-8a5c-503a9a0075a0\" class=\"fn\"><a href=\"#f6f2043d-3830-4565-8a5c-503a9a0075a0\" id=\"f6f2043d-3830-4565-8a5c-503a9a0075a0-link\">5<\/a><\/sup><em><mark style=\"background-color:#abb8c3\" class=\"has-inline-color\"> Antes de Busshinji se estabelecer, o \u00fanico templo S\u014dt\u014dsh\u016b era o Zenguenji na cidade rural de Mogi das Cruzes, onde muitos nipo-brasileiros trabalhavam em fazendas. Ent\u00e3o era um templo \u201ccampon\u00eas\u201d.<\/mark><br><mark style=\"background-color:#abb8c3\" class=\"has-inline-color\">(Comunica\u00e7\u00e3o pessoal, mar\u00e7o 2000)<\/mark><\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Shing\u016b R\u014dshi tamb\u00e9m era admirado pelos brasileiros n\u00e3o-descendentes de japoneses. O mesmo praticante acima observou que,<\/p>\n\n\n\n<p><em><mark style=\"background-color:#abb8c3\" class=\"has-inline-color\">Shing\u016b R\u014dshi estava ciente de seu papel como um exemplo e disseminador do dharma, que era sua tarefa mais dif\u00edcil por muitas raz\u00f5es. Uma delas \u00e9 porque os japoneses n\u00e3o estavam interessados na expans\u00e3o do dharma como tal, mas em tradi\u00e7\u00f5es familiares budistas. Outra \u00e9 que ele n\u00e3o falava portugu\u00eas. Apesar de n\u00e3o falar portugu\u00eas, atrav\u00e9s de seu carisma Shing\u016b R\u014dshi conseguiu estabelecer um tipo de ishin-denshin.\u2076<\/mark><\/em><sup data-fn=\"8c14df7f-121d-4117-b18e-242031343a05\" class=\"fn\"><a href=\"#8c14df7f-121d-4117-b18e-242031343a05\" id=\"8c14df7f-121d-4117-b18e-242031343a05-link\">6<\/a><\/sup><em><mark style=\"background-color:#abb8c3\" class=\"has-inline-color\"> Haviam muitos [brasileiros n\u00e3o-descendentes de japoneses] em volta dele.<\/mark><\/em><\/p>\n<cite><em><mark style=\"background-color:#abb8c3\" class=\"has-inline-color\">(Comunica\u00e7\u00e3o pessoal, abril 2000)<\/mark><\/em><\/cite><\/blockquote>\n\n\n\n<p>Outro praticante que come\u00e7ou a ir para o Busshinji no in\u00edcio dos anos 1960 notou em um tom admirado que<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p><em><mark style=\"background-color:#abb8c3\" class=\"has-inline-color\">Shing\u016b R\u014dshi era um intelectual. Sua biblioteca era extraordin\u00e1ria. Ele tinha uma cole\u00e7\u00e3o completa do Tripitaka em Chin\u00eas!&#8230; Apesar de n\u00e3o falar portugu\u00eas, Shing\u016b R\u014dshi mantinha uma boa rela\u00e7\u00e3o com os brasileiros n\u00e3o-descendentes de japoneses. Ele os respeitava; ele era paciente. Eles faziam as perguntas mais esquisitas. [Eram] pessoas que frequentaram o espiritismo, umbanda, muitas religi\u00f5es brasileiras. Ele sempre respondeu de uma maneira bem tradicional do Zen japon\u00eas. Ele mencionaria algum sutra, adicionaria alguma poesia, escreveria caracteres no quadro negro e os explicaria. Esse \u00e9 o estilo tradicional de um mestre Zen.<\/mark><\/em><\/p>\n<cite><em><mark style=\"background-color:#abb8c3\" class=\"has-inline-color\">(Comunica\u00e7\u00e3o pessoal, abril 2000)<\/mark><\/em><\/cite><\/blockquote>\n\n\n\n<p>Por isso, quando ele adoeceu e mais tarde veio a falecer, houve um v\u00e1cuo na miss\u00e3o sul americana. Ele foi preenchido somente em 1993, quando Daigyo Moriyama foi nomeado <em>s\u014dkan<\/em>. Sob sua lideran\u00e7a um novo templo foi constru\u00eddo no estilo japon\u00eas onde a casa velha ficava. O novo Busshinji foi inaugurado com a presen\u00e7a de muitos oficiais Sotoshu em 1995.<\/p>\n\n\n\n<p>Apesar de estar sem lideran\u00e7a e em um estado de desordem, Busshinji continuou a atrair brasileiros n\u00e3o-descendentes de japoneses, que se tornaram significativos na propaga\u00e7\u00e3o do budismo no Brasil. Ricardo Sasaki \u00e9 um bom exemplo disso. Os pais de Sasaki eram imigrantes japoneses e Sasaki foi introduzido ao budismo atrav\u00e9s de livros japoneses e filmes quando crian\u00e7a. Em 1980, enquanto procurava um lugar para praticar, ele veio a se estabelecer no Busshinji. Ele me contou em uma entrevista que o fato de que o Busshinji tinha sess\u00f5es de <em>zazen<\/em> e era o \u00fanico templo que tinha pr\u00e1tica de medita\u00e7\u00e3o naquele tempo foi o que o atraiu. Esses dois fatores levaram Sasaki a praticar no Busshinji por tr\u00eas ou quatro anos. Depois disso ele come\u00e7ou a frequentar o templo budista Shin em S\u00e3o Paulo.<\/p>\n\n\n\n<p>Assim como outros praticantes, para Sasaki, Busshinji foi o primeiro passo no budismo. Uma vez que ele se familiarizou com o \u00fanico templo onde a pr\u00e1tica de medita\u00e7\u00e3o era realizada, ele ent\u00e3o saiu para se juntar a outras escolas. Seu interesse no budismo o levou primeiro para os EUA, onde ele praticou o Zen coreano, vietnamita e japon\u00eas ao mesmo tempo. Mais tarde ele visitou a \u00cdndia e a Tail\u00e2ndia, onde estudou o budismo Theravada. De acordo com Sasaki, o que o atraiu no budismo Theravada eram suas instru\u00e7\u00f5es de medita\u00e7\u00e3o claras e detalhadas. Em 1989, Sasaki retornou ao Brasil para estabelecer o Centro Budista de Nalanda em Belo Horizonte. Desde ent\u00e3o ele publica em um dos sites brasileiros mais populares sobre o budismo, criou a primeira lista de e-mail budista do pa\u00eds, traduziu e publicou livros budistas e organizou visitas de monges budistas tailandeses, cingaleses e birmaneses ao pa\u00eds. Assim como Aveline, hoje figura de lideran\u00e7a na dissemina\u00e7\u00e3o da Escola Nyingma no Brasil, Sasaki continua a ler sobre e ainda est\u00e1 ligado ao Zen.<\/p>\n\n\n\n<p>Outro praticante para quem o Busshinji foi uma porta de entrada para o budismo e que mais tarde optou pelo budismo Theravada foi Arthur Shaker. Um antrop\u00f3logo e professor na Pontif\u00edcia Universidade Cat\u00f3lica de S\u00e3o Paulo, Shaker come\u00e7ou a frequentar o Busshinji em 1984. Ele observou<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p><mark style=\"background-color:#abb8c3\" class=\"has-inline-color\"><em>Minha primeira op\u00e7\u00e3o budista foi o Zen. Eu e alguns amigos \u00e9ramos muito interessados em religi\u00e3o. N\u00f3s est\u00e1vamos estudando muitas religi\u00f5es para ver quais op\u00e7\u00f5es t\u00ednhamos. N\u00f3s checamos se era o catolicismo, o Isl\u00e3 e o budismo [que n\u00f3s escolher\u00edamos]. Escolher um caminho espiritual \u00e9 uma decis\u00e3o dif\u00edcil porque voc\u00ea n\u00e3o pode entrar e sair de uma religi\u00e3o levianamente. Cada religi\u00e3o tem seu pr\u00f3prio caminho, seus mestres e compromissos. Depois de avaliar profundamente qual seria a minha escolha, eu escolhi o budismo [porque] eu senti que era um caminho mais afinado com a minha natureza. E tamb\u00e9m porque eu tenho origem oriental &#8211; arm\u00eanio, \u00e1rabe, cat\u00f3lico ortodoxo. As coisas do Oriente s\u00e3o pr\u00f3ximas de mim e assim eu comecei a frequentar o Busshinji.<\/em> <\/mark><\/p>\n<cite><em><mark style=\"background-color:#abb8c3\" class=\"has-inline-color\">(Comunica\u00e7\u00e3o pessoal, fevereiro 2000)<\/mark><\/em><\/cite><\/blockquote>\n\n\n\n<p>Mas Shaker queria uma experi\u00eancia mais significativa, uma que ele poderia devotar a sua vida. Ele ouviu sobre o monast\u00e9rio no Esp\u00edrito Santo, onde monges brasileiros n\u00e3o-descendentes de japoneses estavam a cargo, e decidiu se mudar para l\u00e1:<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p><em><mark style=\"background-color:#abb8c3\" class=\"has-inline-color\">Ap\u00f3s dois anos praticando no Busshinji eu foi para o monast\u00e9rio. Os pr\u00e9dios estavam em constru\u00e7\u00e3o, eu conheci Daiju, e n\u00f3s nos tornamos amigos. Na verdade, eu ainda tenho amizade com todas as pessoas do Zen. Eu costumava ir l\u00e1 com frequ\u00eancia e fazia v\u00e1rios sesshin. Eu tamb\u00e9m ajudei a construir o zend\u014d, a cozinha e o alojamento. Daiju me colocou como respons\u00e1vel pelas novas pessoas que chegavam. Era f\u00e1cil para mim ensinar budismo e zazen porque eu era professor universit\u00e1rio.<\/mark><\/em><\/p>\n<cite><em><mark style=\"background-color:#abb8c3\" class=\"has-inline-color\">(Comunica\u00e7\u00e3o pessoal, fevereiro 2000)<\/mark><\/em><\/cite><\/blockquote>\n\n\n\n<p>Shaker conta que esteve envolvido com o Zen at\u00e9 1988. Um m\u00eas antes de ser ordenado leigo no monast\u00e9rio no Esp\u00edrito Santo por Narazaki R\u014dshi em sua \u00fanica viagem para o Brasil, Shaker foi para a \u00c1sia. Ele viveu na \u00cdndia por dois anos, e ent\u00e3o se mudou para a Tail\u00e2ndia. Assim como Sasaki, ele se tornou fascinado pelo budismo Theravada. Shaker me contou que ele achou o m\u00e9todo de medita\u00e7\u00e3o vipassana muito did\u00e1tico, por isso seria facilmente compreendido no ocidente. O Zen, ele disse, \u00e9 comumente incompreendido porque o seu m\u00e9todo \u00e9 muito sutil e os pa\u00edses ocidentais n\u00e3o t\u00eam uma tradi\u00e7\u00e3o budista pr\u00e9via, como o Jap\u00e3o e a China, por exemplo. Enquanto na Tail\u00e2ndia, seus professores budistas o encorajaram a estabelecer um centro budista e disseminar esse m\u00e9todo de medita\u00e7\u00e3o no Brasil. Em 1991 ele, sua esposa e um amigo (que a princ\u00edpio tamb\u00e9m praticou no Busshinji e depois se mudou para o Theravada) criaram a Casa de Dharma, um pequeno centro Theravada em S\u00e3o Paulo onde eles s\u00e3o atualmente instrutores leigos. Desde ent\u00e3o ele formou um time com Ricardo Sasaki para trazer monges Theravada para dar ensinamentos e conduzir retiros em S\u00e3o Paulo e Belo Horizonte.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p>Todos esses casos s\u00e3o exemplos de como brasileiros e ocidentais se relacionam n\u00e3o somente com o budismo mas com a religi\u00e3o em geral. A religi\u00e3o, portanto, pode ser considerada uma jornada de aprimoramento pessoal. Em seu estudo de espiritualidades alternativas no Brasil, Robert Carpenter observou que <br><br><em><mark style=\"background-color:#abb8c3\" class=\"has-inline-color\">as redes esot\u00e9ricas prosperando ultimamente em S\u00e3o Paulo, Rio de Janeiro e outros centros urbanos brasileiros em muitos sentidos parecem mais sintonizados com a cultura \u201cbuscadora\u201d altamente individualista e a \u201cespiritualidade autocentrada\u201d da Europa Ocidental p\u00f3s-moderna e da Am\u00e9rica do Norte do que \u00e0 cultura religiosa tradicionalmente comunit\u00e1ria da Am\u00e9rica Latina. <\/mark><\/em><\/p>\n<cite><em><mark style=\"background-color:#abb8c3\" class=\"has-inline-color\">(CARPENTER 1999, 242)<\/mark><\/em><\/cite><\/blockquote>\n\n\n\n<p>Como mencionado anteriormente, o movimento New Age, com seus temas de autoridade individual, espiritualidade como uma jornada, e a cultura da busca, \u00e9 parte do budismo no Brasil. Al\u00e9m disso, como em outros pa\u00edses ocidentais, brasileiros aderem \u00e0 ideia de que o budismo tem uma verdade, uma ess\u00eancia universal, que pode ser encontrada quando despida dos acr\u00e9scimos culturais. Por causa dessa cren\u00e7a em uma ess\u00eancia universal, praticantes podem frequentar diferentes escolas budistas ao mesmo tempo, como no caso de Aveline, Sasaki, Gon\u00e7alves e Shaker. Essa cren\u00e7a tem origem na \u00eanfase do s\u00e9culo dezenove no estudo de textos budistas no lugar de rituais e culturas. Como Lopez observou,<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p><em><mark style=\"background-color:#abb8c3\" class=\"has-inline-color\">Ao apelar para textos budistas com sua representa\u00e7\u00e3o do dharma como sendo uma verdade transcendente, no qual o Buda foi apenas o mais recente a descobrir\u2026 o budismo pode ser interpretado como uma ess\u00eancia trans-hist\u00f3rica e auto-existente\u00a0que benevolentemente desceu em v\u00e1rias culturas ao longo da hist\u00f3ria.<\/mark><\/em><\/p>\n<cite><em><mark style=\"background-color:#abb8c3\" class=\"has-inline-color\">(LOPEZ 1995,7)<\/mark><\/em><\/cite><\/blockquote>\n\n\n\n<p>Dessa perspectiva, \u00e9 poss\u00edvel \u201cmigrar\u201d para diferentes escolas budistas e ser afiliado a diferentes escolas budistas e\/ou outras religi\u00f5es ao mesmo tempo dependendo das suas necessidades atuais. Muitos valorizam essas \u201cmigra\u00e7\u00f5es\u201d como uma experi\u00eancia enriquecedora.<\/p>\n\n\n\n<p>Com certeza, nem todos os brasileiros n\u00e3o-descendentes de japoneses que seguem o budismo aderem completamente a esses princ\u00edpios da Nova Era. Como discuti em outro lugar (ROCHA 2006, cap\u00edtulo 3) h\u00e1 in\u00fameras formas atrav\u00e9s das quais brasileiros aderem ao budismo. Por um lado, as pessoas podem ler um livro Zen e misturar com outras pr\u00e1ticas Nova Era ou alternativas (como reiki, yoga e tai-chi). Por outro, os seguidores podem se tornar adeptos s\u00e9rios, receber ordena\u00e7\u00e3o completa e ir estudar no Jap\u00e3o. Os seguidores aqui analisados podem misturar e combinar diversas escolas budistas, mas eles n\u00e3o hibridizam o budismo com outras pr\u00e1ticas. Shaker claramente se posiciona no extremo do continuum, uma vez que, embora ele tenha achado que ele poderia escolher uma religi\u00e3o que melhor se adequaria \u00e0s suas necessidades, ele tamb\u00e9m acreditava que uma vez que algu\u00e9m escolhe um caminho, ele ou ela deveria segui-lo. Essa \u00e9 uma posi\u00e7\u00e3o bem diferente das dos adeptos da Nova Era mencionados acima, que sentem que eles podem misturar e combinar diferentes religi\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>Finalmente, \u00e9 importante observar que enquanto todos os seguidores mencionados aqui primeiro praticaram budismo no Busshinji, eles tiveram de viajar para o exterior quando eles quiseram aprender sobre outras escolas budistas. Aveline participou do Kalachakra na cidade de Nova Iorque, Sasaki foi para os EUA para praticar o Zen vietnamita e coreano e, como Shaker, viveu na \u00cdndia e na Tail\u00e2ndia para aprender sobre o budismo Theravada. Gon\u00e7alves \u00e9 uma exce\u00e7\u00e3o \u00e0 regra, uma vez que ele continuou praticando o budismo japon\u00eas e conseguiu trocar de escola dentro do Brasil.<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:28px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><em><strong>Conclus\u00e3o<\/strong><\/em><\/h2>\n\n\n\n<p>Neste trabalho, eu apresentei como embora o Busshinji tenha sido fundado e estabelecido para a comunidade nipo-brasileira, ele passou a ser frequentado por um grupo inesperado: brasileiros n\u00e3o-descendentes de japoneses. Devido ao prest\u00edgio que o Zen gozava no exterior, Busshinji se tornou um farol para brasileiros n\u00e3o-descendentes buscando o budismo: como seus hom\u00f3logos ocidentais, os brasileiros n\u00e3o-descendentes de japoneses liam sobre o zen e medita\u00e7\u00e3o e procuravam um lugar para pratic\u00e1-los. Mesmo quando o Busshinji estava sem lideran\u00e7a e n\u00e3o havia ningu\u00e9m para ensinar para os n\u00e3o-falantes de japon\u00eas, os brasileiros n\u00e3o-descendentes continuaram a praticar <em>zazen<\/em> no templo. Outras escolas budistas japonesas n\u00e3o foram um objeto de interesse porque elas n\u00e3o inclu\u00edram a medita\u00e7\u00e3o em seus procedimentos. A signific\u00e2ncia de usar o <em>zazen<\/em> para atrair brasileiros n\u00e3o-descendentes foi demonstrado no final dos anos 1990 por alguns templos J\u014ddo Shin. Eles introduziram sess\u00f5es especificamente para atrair esse grupo devido \u00e0 diminui\u00e7\u00e3o de membros nipo-brasileiros (MATSUE 1998). Se o Busshinji n\u00e3o tivesse inclu\u00eddo o <em>zazen<\/em> entre as suas atividades, haveriam poucos nipo-brasileiros interessados em frequentar o templo.<\/p>\n\n\n\n<p>Esse continuou sendo o caso nas d\u00e9cadas que se seguiram. Em 1998, um membro do grupo Zen de Porto Alegre me contou que ele viveu em Londrina (no estado do Paran\u00e1), uma cidade com uma extensa comunidade japonesa imigrante. Em sua juventude ele leu Os Tr\u00eas Pilares do Zen (KAPLEAU 2000), Zen na Arte de Tiro com Arco (JERRIGEL 1989), e os livros de D.T. Suzuki. Ele disse, entretanto, que \u201cn\u00e3o h\u00e1 Zen em Londrina, apenas outras escolas budistas. Mas porque eu j\u00e1 tinha uma ideia do que o Zen era, eu n\u00e3o quis ir para outras escolas budistas. Ent\u00e3o eu esperei at\u00e9 eu poder ir para Porto Alegre\u201d (comunica\u00e7\u00e3o pessoal, fevereiro 1998).<\/p>\n\n\n\n<p>Uma vez que esses novos seguidores fizeram incurs\u00f5es no budismo no Busshinji, foi mais f\u00e1cil para eles explorarem outras escolas budistas. Para fazer isso, alguns tiveram de deixar o pa\u00eds uma vez que, at\u00e9 o in\u00edcio dos anos 1990, o budismo japon\u00eas era a forma prim\u00e1ria de budismo existente no Brasil. Neste trabalho, eu explorei as vidas desses seguidores que deixaram o Busshinji para se tornar figuras centrais na propaga\u00e7\u00e3o de outras escolas de budismo no Brasil. Eu tamb\u00e9m mostrei como outros continuaram praticando o Zen, foram para o Jap\u00e3o treinar e estabeleceram seus pr\u00f3prios centros Zen ap\u00f3s seu retorno. Ambas as experi\u00eancias, que tiveram seu come\u00e7o no templo S\u014dt\u014d, evidenciam o papel crucial que o Busshinji desempenhou na hist\u00f3ria do budismo no Brasil.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m disso, eu mostrei que esses seguidores sentiram que eles tinham direito primeiro a escolher sua pr\u00f3pria religi\u00e3o e segundo de seguir mais de uma escola de budismo ao mesmo tempo. A postura religiosa descrita pode ser examinada \u00e0 luz da modernidade religiosa, que encoraja ocidentais a misturar e combinar diversas pr\u00e1ticas religiosas. Tal postura pode ser explicada pelo fato do budismo ser considerado no Ocidente como tendo uma ess\u00eancia comum. Por isso, migrar de uma escola para outra ou seguir mais de uma escola budista \u00e9 considerado um aprimoramento da compreens\u00e3o que se tem do budismo.<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:28px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Refer\u00eancias<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>BAUMANN, Martin<\/p>\n\n\n\n<p>2001 Global Buddhism: Developmental periods, regional histories, and a new analytical perspective. <em>Journal of Global Buddhism<\/em> 2: 1-44. <a href=\"http:\/\/www.globalbuddhism.org\/toc.html,acessed\">http:\/\/www.globalbuddhism.org\/toc.html<\/a> , acessado em Setembro 2006.<\/p>\n\n\n\n<p>BELLAH, Robert<\/p>\n\n\n\n<p>1976 New religious consciousness and the crisis in modernity. In <em>The New Religious Consciousness<\/em>, ed. C. Glock and R. Bellah, 333-52. Berkeley, Los Angeles, London: University of California Press.<\/p>\n\n\n\n<p>CARPENTER, Robert<\/p>\n\n\n\n<p>1999 Esoteric literature as a microcosmic mirror of Brazil\u2019s religious market-place. In <em>Latin American Religion in Motion<\/em>, ed. C. Smith and J. Prokopy, 235-60. New York: Routledge.<\/p>\n\n\n\n<p>CUSH, Denise<\/p>\n\n\n\n<p>1996 British Buddhism and the New Age. <em>Journal of Contemporary Religion<\/em> 11\/2:195-208.<\/p>\n\n\n\n<p>DIENER, Michael, Ingrid Fischer-SCHREIBER, and Franz-Karl EHRHARD<\/p>\n\n\n\n<p>1991 <em>The Shambala Dictionary of Buddhism and Zen<\/em>. Boston: Shambala Publications.<\/p>\n\n\n\n<p>FENOLLOSA, Ernest<\/p>\n\n\n\n<p>1968 <em>The Chinese Written Character as a Medium for Poetry<\/em>. Ed. By Ezra Pound. San Francisco: CIty Lights Books. Originally published by Instigations, London, 1920.<\/p>\n\n\n\n<p>GON\u00c7ALVES, Ricardo M\u00e1rio<\/p>\n\n\n\n<p>2005 As Flores do Dharma desabrocham sob o Cruzeiro do Sul: Aspectos dos v\u00e1rios \u201cbudismos\u201d no Brasil. <em>Revista USP<\/em> 67:198-207.<\/p>\n\n\n\n<p>HERRIGEL, Eugen<\/p>\n\n\n\n<p>1989 <em>Zen in the Art of Archery<\/em>. Translated by R. F. C. Hull. New York: Vintade Books.<\/p>\n\n\n\n<p>HESS, David<\/p>\n\n\n\n<p>1991 <em>Spiritists and Scientists: Ideology, Spiritism, and Brazilian Culture<\/em>. University Park: Pennsylvania State University Press.<\/p>\n\n\n\n<p>KAPLEAU, Philip, comp. &amp; ed.<\/p>\n\n\n\n<p>2000 <em>The Three Pillars of Zen: Teaching, Practice, and Enlightenment<\/em>. New York: Anchor Books. 35th edition.<\/p>\n\n\n\n<p>LESSER, Jeffrey<\/p>\n\n\n\n<p>1999 <em>Negotiating National Identity: Immigrants, Minorities, and the Struggle for Ethnicity in Brazil<\/em>. Durham: Duke University Press.<\/p>\n\n\n\n<p>LONE, Stewart<\/p>\n\n\n\n<p>2001 <em>The Japanese Community in Brazil, 1908-1940: Between Samurai and Carnival<\/em>. Houndmills: Palgrave.<\/p>\n\n\n\n<p>LOPEZ, Donald, ed.<\/p>\n\n\n\n<p>1995 Curators of the Buddha: <em>The Study of Buddhism under Colonialism<\/em>. Chicago: University of Chicago Press.<\/p>\n\n\n\n<p>MATSUE, Regina Yoshie<\/p>\n\n\n\n<p>1998 O Para\u00edso de Amida: Tr\u00eas escolas budistas em Bras\u00edlia. Master\u2019s dissertation. University of Bras\u00edlia, Bras\u00edlia.<\/p>\n\n\n\n<p>ROCHA, Cristina<\/p>\n\n\n\n<p>2004 Zazen or not zazen: The predicament of Sotoshu\u2019s <em>Kaikyoshi<\/em> in Brazil. <em>Japanese Journal of Religious Studies<\/em> 31:163-84.<\/p>\n\n\n\n<p>2006 <em>Zen in Brazil: The Quest for Cosmopolitan Modernity<\/em>. Honolulu: University of Hawai\u2019i Press.<\/p>\n\n\n\n<p>ROOF, Wade Clark<\/p>\n\n\n\n<p>1999 <em>Spiritual Marketplace: Baby Boomers and the Remaking of American Religion<\/em>. Princeton and Oxford: Princeton University Press.<\/p>\n\n\n\n<p>SHUMUCHO, Sotoshu<\/p>\n\n\n\n<p>2000 The Brazil branch temple Busshinji in S\u00e3o Paulo. Zen Friends: <em>A Guide to the Buddhist Way of Life<\/em> 11\/1:12-15.<\/p>\n\n\n\n<p>SUZUKI, D. T.<\/p>\n\n\n\n<p>1934 <em>An Introduction to Zen Buddhism<\/em>, Kyoto: Eastern Buddhist Society. Republished with foreword by C.G. Jung, London: Rider &amp; Company 1948.<\/p>\n\n\n\n<p>1961 <em>Introdu\u00e7\u00e3o ao Zen-Budismo<\/em>. Translation Murilo Nunes de Azevedo. Rio de Janeiro: Editora Civiliza\u00e7\u00e3o Brasileira.<\/p>\n\n\n\n<p>VER\u00cdSSIMO, Jane<\/p>\n\n\n\n<p>2000 Entrevista Autobiogr\u00e1fica. <em>Centro de Estudos Budistas Bodisatva<\/em>. <a href=\"http:\/\/cebbsp.org\/lautobiografica.htm\">http:\/\/cebbsp.org\/lautobiografica.htm<\/a> ,acessado em 8 de setembro de 2006.<\/p>\n\n\n<ol class=\"wp-block-footnotes\"><li id=\"dfe303eb-366b-40e4-9040-76c44b03c56b\">\u00b9. Para mais sobre isso, veja Rocha 2004, 163-84. <a href=\"#dfe303eb-366b-40e4-9040-76c44b03c56b-link\" aria-label=\"Jump to footnote reference 1\">\u21a9\ufe0e<\/a><\/li><li id=\"86b9ff22-ceae-46d5-8f68-e6b803233d3f\">\u00b2 Eu escrevi extensamente sobre as associa\u00e7\u00f5es entre o budismo Zen e o movimento Nova Era no Brasil no cap\u00edtulo 3 de ROCHA 2006. <a href=\"#86b9ff22-ceae-46d5-8f68-e6b803233d3f-link\" aria-label=\"Jump to footnote reference 2\">\u21a9\ufe0e<\/a><\/li><li id=\"54bf111f-3e07-4fcb-8106-5ddb34fdb3c3\">\u00b3 Literalmente \u201cresidindo em paz\u201d, <em>ango<\/em> \u00e9 um per\u00edodo de tr\u00eas meses de um treinamento espiritual intensivo durante a esta\u00e7\u00e3o chuvosa no ver\u00e3o. <a href=\"#54bf111f-3e07-4fcb-8106-5ddb34fdb3c3-link\" aria-label=\"Jump to footnote reference 3\">\u21a9\ufe0e<\/a><\/li><li id=\"9990a61a-2a4f-4074-a0c3-afde16ab422d\">\u2074 Em 1980 Gon\u00e7alves mudou de escola novamente, dessa vez aderindo ao J\u014ddo Shinsh\u016b Otani-ha (Filial Otani da Verdadeira Terra Pura). Isso exemplifica mais uma vez como para brasileiros n\u00e3o-descendentes de japoneses o budismo \u00e9 uma religi\u00e3o de escolha pessoal, em oposi\u00e7\u00e3o \u00e0 tradi\u00e7\u00e3o familiar. Para uma an\u00e1lise das escolhas budistas de Gon\u00e7alves em rela\u00e7\u00e3o ao budismo no Brasil, veja ROCHA 2006, cap\u00edtulo 2. <a href=\"#9990a61a-2a4f-4074-a0c3-afde16ab422d-link\" aria-label=\"Jump to footnote reference 4\">\u21a9\ufe0e<\/a><\/li><li id=\"f6f2043d-3830-4565-8a5c-503a9a0075a0\">\u2075 A emigra\u00e7\u00e3o japonesa para o Brasil come\u00e7ou em 1908. Ao chegar eles foram trabalhar em fazendas de algod\u00e3o, banana e caf\u00e9 no oeste dos estados de S\u00e3o Paulo e Paran\u00e1. Entretanto, na d\u00e9cada de 1950 eles come\u00e7aram a se mudar para as cidades e desfrutar de melhor qualidade de vida. At\u00e9 ent\u00e3o eles tinham economizado dinheiro suficiente para enviar ao menos um filho para a universidade. Para mais a respeito disso, veja LESSER 199 e LONE 2001. <a href=\"#f6f2043d-3830-4565-8a5c-503a9a0075a0-link\" aria-label=\"Jump to footnote reference 5\">\u21a9\ufe0e<\/a><\/li><li id=\"8c14df7f-121d-4117-b18e-242031343a05\">\u2076 Ishin-denshin \u00e9 uma no\u00e7\u00e3o central do Zen. \u201cVem do Sutra da Plataforma do sexto patriarca do Ch\u2019an (Zen) na China, Hui-neng. Ele aponta que o que \u00e9 preservado na linhagem da tradi\u00e7\u00e3o e \u2018transmitido\u2019 n\u00e3o \u00e9 conhecimento proveniente de livros na forma de \u2018ensinamentos\u2019 estabelecidos em escrituras sagradas, mas sim um insight direto da verdadeira natureza da realidade, para a qual um mestre iluminado pode guiar um aluno atrav\u00e9s do treinamento na maneira do Zen\u201d (DIENER et al 1991, 101). <a href=\"#8c14df7f-121d-4117-b18e-242031343a05-link\" aria-label=\"Jump to footnote reference 6\">\u21a9\ufe0e<\/a><\/li><\/ol>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Este artigo, escrito por Cristina Rocha em 2008 e veiculado na Nanzan University, relata a hist\u00f3ria do Budismo no Brasil desde os anos 50 com Takashina Roshi. 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