{"id":148,"date":"2019-09-19T23:41:25","date_gmt":"2019-09-19T23:41:25","guid":{"rendered":"http:\/\/td_uid_80_5d8bfb2527105"},"modified":"2023-03-27T08:21:03","modified_gmt":"2023-03-27T11:21:03","slug":"estas-mulheres-trans-abriram-uma-cooperativa-segura-para-imigrantes-lgbts-nos-estados-unidos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaoparamita.com.br\/en\/estas-mulheres-trans-abriram-uma-cooperativa-segura-para-imigrantes-lgbts-nos-estados-unidos\/","title":{"rendered":"Estas mulheres trans abriram uma cooperativa segura para imigrantes LGBTs nos Estados Unidos"},"content":{"rendered":"<div class=\"td-paragraph-padding-1\">\n<p>Hoje \u00e9 noite de karaok\u00ea no Q-Center, espa\u00e7o de reuni\u00f5es da <a href=\"https:\/\/www.huffpostbrasil.com\/lgbt\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-rapid-elm=\"context_link\" data-ylk=\"elm:context_link\" data-rapid-sec=\"{&quot;entry-text&quot;:&quot;entry-text&quot;}\" data-rapid_p=\"2\" data-v9y=\"1\"><strong>LGBT<\/strong><\/a> Network no bairro de Long Island City, no Queens, em Nova York, nos Estados Unidos. Mas nem a cl\u00e1ssica\u00a0<em>Dreams<\/em>, do Fleetwood Mac, \u00e9 capaz de distrair as mulheres da Mirror Beauty Cooperative, que est\u00e3o fazendo uma reuni\u00e3o de planejamento.<\/p>\n<p>Estou \u00e0 mesa com Lesly Herrera Castillo e Joselyn Mendoza, al\u00e9m da rec\u00e9m-chegada Johani Rosa (e do s\u00f3cio Daniel Puerto, que traduziu a conversa do espanhol para o ingl\u00eas).<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/theink.nyc\/transgender-latina-women-to-launch-worker-owned-beauty-business\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-rapid-elm=\"context_link\" data-ylk=\"elm:context_link\" data-rapid-sec=\"{&quot;entry-text&quot;:&quot;entry-text&quot;}\" data-rapid_p=\"3\" data-v9y=\"1\">Apesar de ter sido criada conceitualmente em 2015<\/a>, a Mirror Beauty ainda n\u00e3o tem um espa\u00e7o f\u00edsico. Cada uma das integrantes trabalha em outros sal\u00f5es de beleza, e semanalmente se re\u00fanem para levar adiante um sonho: ter um sal\u00e3o de beleza pr\u00f3prio para atender \u00e0 popula\u00e7\u00e3o trans e latina do bairro Jackson Heights, tamb\u00e9m no Queens.<\/p>\n<p>No fim do t\u00fanel, segundo as fundadoras, est\u00e1 n\u00e3o s\u00f3 a independ\u00eancia econ\u00f4mica, mas tamb\u00e9m a libera\u00e7\u00e3o da discrimina\u00e7\u00e3o de ra\u00e7a e g\u00eanero que elas sofreram a vida toda.<\/p>\n<p>Cooperativas s\u00e3o empresas em que os donos e os gerentes s\u00e3o os pr\u00f3prios funcion\u00e1rios. <a href=\"http:\/\/www.geo.coop\/story\/black-co-ops-were-method-economic-survival\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-rapid-elm=\"context_link\" data-ylk=\"elm:context_link\" data-rapid-sec=\"{&quot;entry-text&quot;:&quot;entry-text&quot;}\" data-rapid_p=\"4\" data-v9y=\"1\">H\u00e1 mais de cem anos<\/a>\u00a0esse modelo serve de caminho para a liberdade econ\u00f4mica e a justi\u00e7a dos n\u00e3o-brancos norte-americanos.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"content-list-component text\">\n<p>Organiza\u00e7\u00f5es como a Young Negroes Co-operative League, fundada nos anos 1930, foi decisiva para a cria\u00e7\u00e3o da <a href=\"https:\/\/www.federation.coop\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-rapid-elm=\"context_link\" data-ylk=\"elm:context_link\" data-rapid-sec=\"{&quot;entry-text&quot;:&quot;entry-text&quot;}\" data-rapid_p=\"13\" data-v9y=\"1\">Federation of Southern Cooperatives<\/a>, em 1967, que desde ent\u00e3o cresceu e tornou-se uma rede que conta com dezenas de milhares de negros que trabalham no campo.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.thenews.coop\/130862\/sector\/worker-coops\/caused-number-us-worker-co-ops-nearly-double\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-rapid-elm=\"context_link\" data-ylk=\"elm:context_link\" data-rapid-sec=\"{&quot;entry-text&quot;:&quot;entry-text&quot;}\" data-rapid_p=\"14\" data-v9y=\"1\">O n\u00famero de cooperativas nos quase dobrou<\/a>\u00a0nos Estados Unidos nos \u00faltimos dez anos, e boa parte desse crescimento vem de comunidades n\u00e3o-brancas.\u00a0<\/p>\n<p>A maioria das novas cooperativas assume o controle de neg\u00f3cios que j\u00e1 existem, mas Rosa, Herrera e Mendoza est\u00e3o tentando come\u00e7ar a Mirror do zero. E a tarefa \u00e9 ainda mais complicada porque elas enfrentam dois estigmas: o de imigrantes e o de transg\u00eaneros.<\/p>\n<p>\u201cA import\u00e2ncia da cooperativa para mim \u00e9 a oportunidade de criar mais empregos e um espa\u00e7o livre de discrimina\u00e7\u00e3o\u201d, explica Mendoza, imigrante mexicana que come\u00e7ou a estudar cosmetologia h\u00e1 quatro anos. \u201cAs mulheres trans muitas vezes n\u00e3o t\u00eam acesso a uma economia saud\u00e1vel, e queremos mudar isso, dar acesso a outros servi\u00e7os, como planos de sa\u00fade.\u201d<\/p>\n<\/div>\n<blockquote class=\"content-list-component pull-quote\">\n<blockquote class=\"td_pull_quote td_pull_center\">\n<h1><span style=\"color: #000080;\">&#8220;As mulheres trans muitas vezes n\u00e3o t\u00eam acesso a uma economia saud\u00e1vel, e queremos mudar isso.&#8221; <\/span><\/h1>\n<h6><span style=\"color: #000080;\"><span class=\"attribution\">Joselyn Mendoza, co-fundadora da Mirror Beauty Cooperative.<\/span><\/span><\/h6>\n<\/blockquote>\n<\/blockquote>\n<div class=\"content-list-component text\">\n<p>\u201cAs oportunidades s\u00e3o limitadas para nossa comunidade\u201d, concorda Herrera. Veterana com 26 anos de experi\u00eancia (15 deles nos Estados Unidos, depois de imigrar do M\u00e9xico), Herrera diz que a parte mais dif\u00edcil da vida profissional das trans latinx n\u00e3o \u00e9 arrumar um emprego \u2013 \u00e9 mant\u00ea-lo. \u201cMuitos dos problemas com discrimina\u00e7\u00e3o v\u00eam, se n\u00e3o dos chefes, ent\u00e3o dos colegas [cisg\u00eanero]\u201d, que muitas vezes s\u00e3o abertamente hostis.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.transequality.org\/sites\/default\/files\/docs\/usts\/USTS%20Full%20Report%20-%20FINAL%201.6.17.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-rapid-elm=\"context_link\" data-ylk=\"elm:context_link\" data-rapid-sec=\"{&quot;entry-text&quot;:&quot;entry-text&quot;}\" data-rapid_p=\"15\" data-v9y=\"1\">Em um levantamento realizado em 2015<\/a> com mais de 27 000 trans, queers de g\u00eanero e n\u00e3o-bin\u00e1rios indicou que 16% dos entrevistados disseram ter sido demitidos por causa da identidade de g\u00eanero ou da express\u00e3o dela. Mulheres trans e trans n\u00e3o-brancos tinham maior probabilidade de ter passado pela experi\u00eancia.<\/p>\n<p>Herrera, Mendoza e Rosa todas t\u00eam hist\u00f3rias de discrimina\u00e7\u00e3o para contar. Quando elas conheceram a argentina <a href=\"https:\/\/newint.org\/features\/2013\/06\/01\/argentina-transgender-rights\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-rapid-elm=\"context_link\" data-ylk=\"elm:context_link\" data-rapid-sec=\"{&quot;entry-text&quot;:&quot;entry-text&quot;}\" data-rapid_p=\"16\" data-v9y=\"1\">Nadia Echaz\u00fa<\/a>, uma cooperativa t\u00eaxtil argentina batizada em homenagem a uma ativista morta aos 33 anos, Mendoza viu ali uma possibilidade de escapar do ciclo de opress\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cAdoro a ideia de uma cooperativa de trabalhadores e fiquei contente quando Joselyn me convidou para o projeto\u201d, lembra Herrera. Para ela, um sal\u00e3o cujos donos s\u00e3o trans \u00e9 uma chance de \u201ctrabalhar livremente\u201d e expressar sua criatividade sem medo de discrimina\u00e7\u00e3o ou maus tratos por parte de chefes ou colegas.<\/p>\n<p>Herrera afirma que o foco da Mirror \u00e9 \u201cdar trabalho para a comunidade trans\u201d, mas essa n\u00e3o \u00e9 o \u00fanico tipo de ajuda que o coletivo quer dar \u00e0 popula\u00e7\u00e3o marginalizada. Mendoza afirma que, na sua opini\u00e3o, \u201co maior benef\u00edcio disso \u00e9 criar empregos para pessoas sem documentos\u201d.<\/p>\n<p>\u00c9 por isso que a Mirror Beauty Cooperative foi registrada como uma empresa, n\u00e3o como uma cooperativa. Cada um dos membros ser\u00e1 co-propriet\u00e1rio, n\u00e3o funcion\u00e1rio \u2013 na pr\u00e1tica, isso significa a remo\u00e7\u00e3o de um obst\u00e1culo burocr\u00e1tico importante para imigrantes que n\u00e3o t\u00eam autoriza\u00e7\u00e3o para trabalhar nos Estados Unidos.<\/p>\n<p>Como o Internal Revenue Service (a Receita Federal americana) n\u00e3o envia informa\u00e7\u00f5es para os \u00f3rg\u00e3os respons\u00e1veis pela imigra\u00e7\u00e3o, quem n\u00e3o tem papeis pode usar esse tipo de registro para abrir contas banc\u00e1rias, pedir empr\u00e9stimos e criar hist\u00f3ricos de cr\u00e9dito e de pagamento de impostos.<\/p>\n<p>Segundo o National Immigrant Law Center, esse tipo de estrat\u00e9gia tamb\u00e9m pode ser usado como comprovante de resid\u00eancia e no pedido de apoio econ\u00f4mico como abatimentos de impostos para fam\u00edlias com filhos.<\/p>\n<p>Em 2014, esse tipo de empresa recolheu estimados 9 <a href=\"https:\/\/www.irs.gov\/pub\/irs-utl\/20-Immigration%20and%20Taxation.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-rapid-elm=\"context_link\" data-ylk=\"elm:context_link\" data-rapid-sec=\"{&quot;entry-text&quot;:&quot;entry-text&quot;}\" data-rapid_p=\"17\" data-v9y=\"1\">bilh\u00f5es de d\u00f3lares<\/a>\u00a0em impostos sobre folha de pagamento.<\/p>\n<figure id=\"attachment_217\" aria-describedby=\"caption-attachment-217\" style=\"width: 960px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img data-recalc-dims=\"1\" fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-217 size-full\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.acaoparamita.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/5d72823b2300003200512607.jpeg?resize=800%2C533\" alt=\"\" width=\"800\" height=\"533\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/acaoparamita.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/5d72823b2300003200512607.jpeg?w=960&amp;ssl=1 960w, https:\/\/i0.wp.com\/acaoparamita.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/5d72823b2300003200512607.jpeg?resize=600%2C400&amp;ssl=1 600w, https:\/\/i0.wp.com\/acaoparamita.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/5d72823b2300003200512607.jpeg?resize=300%2C200&amp;ssl=1 300w, https:\/\/i0.wp.com\/acaoparamita.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/5d72823b2300003200512607.jpeg?resize=768%2C512&amp;ssl=1 768w\" sizes=\"(max-width: 800px) 100vw, 800px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-217\" class=\"wp-caption-text\">Lesly Herrera Castillo, Jonahi Rosa e Joselyn Mendoza na sede da LGBT Network, em Nova York. [Foto: Demetrius Freeman for HuffPost]<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<div class=\"content-list-component text\">\n<p>Herrera e Mendoza come\u00e7aram a organizar a Mirror h\u00e1 tr\u00eas anos, mas ainda n\u00e3o arrecadaram dinheiro suficiente para abrir um sal\u00e3o pr\u00f3prio. Elas dizem ter enfrentado obst\u00e1culos por n\u00e3o terem educa\u00e7\u00e3o tradicional e porque imigrantes n\u00e3o t\u00eam tantas oportunidades econ\u00f4micas. A campanha de crowdfunding da Mirror no <a href=\"https:\/\/www.gofundme.com\/f\/MirrorCoop?fbclid=IwAR1qT8_wfns5FTIwut6Dw4k6lzQWX75NEW_dEhqsEDgMN9gQvvKipLdHBLY\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-rapid-elm=\"context_link\" data-ylk=\"elm:context_link\" data-rapid-sec=\"{&quot;entry-text&quot;:&quot;entry-text&quot;}\" data-rapid_p=\"19\" data-v9y=\"1\">GoFundMe<\/a>, principal componente da estrat\u00e9gia para levantar recursos, obteve apenas 1 340 d\u00f3lares desde maio \u2013 a meta \u00e9 de 150 000 d\u00f3lares.\u00a0<\/p>\n<p>Pergunto se elas est\u00e3o frustradas porque a visibilidade recente dos transg\u00eaneros tem trazido benef\u00edcios econ\u00f4micos mais para as trans brancas, deixando as outras para tr\u00e1s. Mendoza concorda. \u201cAs trans brancas sempre tiveram mais privil\u00e9gio no que diz respeito ao trabalho\u201d, afirma ela. \u201cMulheres trans latinas t\u00eam de superar v\u00e1rios obst\u00e1culos. Acredito que, se mulheres trans brancas come\u00e7assem um projeto parecido, a incuba\u00e7\u00e3o seria mais r\u00e1pida.\u201d<\/p>\n<p>Ainda assim, Herrera diz acreditar que \u201csempre podemos contar com a comunidade trans branca\u201d para apoio material, \u201cporque elas sabem que t\u00eam um n\u00edvel [econ\u00f4mico] melhor.\u201d<\/p>\n<p>Herrera diz que, se a campanha de crowdfunding n\u00e3o atingir o objetivo, o grupo tem um \u201cplano B\u201d confidencial. A ideia \u00e9 estar operando num espa\u00e7o pr\u00f3prio daqui um ano. Mas Herrera n\u00e3o perdeu as esperan\u00e7as: \u201cAcho que a campanha do GoFundMe vai mostrar organicamente que as pessoas nos adoram e nos apoiam\u201d.<\/p>\n<p>Mesmo sem o sal\u00e3o, a cooperativa est\u00e1 marcando presen\u00e7a no bairro fazendo trabalho volunt\u00e1rio. Logo depois do lan\u00e7amento da campanha de crowdfunding, o trio participou da Parada do Orgulho no Queens \u2013 e Rosa carregou um cartaz que dizia: <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/mirrorbeautycooperative\/photos\/a.496673717484381\/598237643994654\/?type=1&amp;theater\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-rapid-elm=\"context_link\" data-ylk=\"elm:context_link\" data-rapid-sec=\"{&quot;entry-text&quot;:&quot;entry-text&quot;}\" data-rapid_p=\"20\" data-v9y=\"0\">\u201cInvista em trans latinas\u201d<\/a>. Em um evento recente patrocinado pelo <a href=\"https:\/\/sagenyc.org\/nyc\/)\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-rapid-elm=\"context_link\" data-ylk=\"elm:context_link\" data-rapid-sec=\"{&quot;entry-text&quot;:&quot;entry-text&quot;}\" data-rapid_p=\"21\" data-v9y=\"0\">SAGE<\/a>, uma organiza\u00e7\u00e3o que defende os direitos da popula\u00e7\u00e3o LGBT de idade avan\u00e7ada, a Mirror ofereceu servi\u00e7os de cabeleireiro. Herrera diz que, quando tiver um sal\u00e3o pr\u00f3prio, o coletivo vai realizar eventos mensais para ajudar abrigos de sem-teto da regi\u00e3o. A ideia \u00e9 abrir um neg\u00f3cio que tamb\u00e9m funcione como um ponto central na organiza\u00e7\u00e3o das demandas da comunidade. \u201c\u00c9 a oportunidade perfeita para a comunidade se unir e fazer algo por seu futuro.\u201d<\/p>\n<p>Ouvir as mulheres falando de sua vis\u00e3o \u00e9 empolgante, mas, sendo mulher trans, me pergunto como elas est\u00e3o lidando com as dificuldades. Trans n\u00e3o-brancos nos Estados Unidos de Donald Trump vivem com v\u00e1rios traumas e ansiedades. E o bairro de Jackson Heights tamb\u00e9m n\u00e3o ajuda muito. Apesar de ser etnicamente diverso e abrigar uma intersec\u00e7\u00e3o vibrante de comunidades latinx e LGBT, a regi\u00e3o tamb\u00e9m vem registrando diversos crimes de \u00f3dio contra trans nos \u00faltimos anos \u2013 muitas vezes, as v\u00edtimas s\u00e3o profissionais do sexo.\u00a0<\/p>\n<p>Conversando no Q-Center, que fica perto de Jackson Heights, o nome de Kathy Sal est\u00e1 na minha mem\u00f3ria. N\u00e3o consigo imaginar a coragem necess\u00e1ria para trans abrirem um neg\u00f3cio pr\u00f3ximo do quarteir\u00e3o onde ela seguida at\u00e9 em casa e <a href=\"https:\/\/www.advocate.com\/transgender\/2015\/12\/01\/nyc-trans-activists-demand-swift-police-action-savage-beating-trans-woman\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-rapid-elm=\"context_link\" data-ylk=\"elm:context_link\" data-rapid-sec=\"{&quot;entry-text&quot;:&quot;entry-text&quot;}\" data-rapid_p=\"22\" data-v9y=\"1\">espancada, em 2015<\/a>.<\/p>\n<p>Mas, para Rosa e suas parceiras, abandonar o bairro \u2013 e a comunidade de imigrantes que elas encontraram \u2013 nunca foi uma op\u00e7\u00e3o. \u201cJ\u00e1 andei sozinha pelos bairros mais perigosos de Porto Rico\u201d, diz Rosa, que se mudou para Nova York h\u00e1 tr\u00eas anos. \u201cSempre estive na rua, exposta. Essa viol\u00eancia \u00e9 justamente no que n\u00e3o preciso pensar.\u201d E Herrera me lembra: \u201cOs ataques n\u00e3o acontecem s\u00f3 em Jackson Heights. Eles podem ocorrer em qualquer lugar. Acho que, com o nosso trabalho e dos nossos aliados, conseguiremos continuar construindo um futuro melhor.\u201d<\/p>\n<p><em><a href=\"https:\/\/www.huffpostbrasil.com\/entry\/beauty-cooperative-safe-space-latinx-lgbtq-workers_n_5d727ce7e4b0fd4168e9c640\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-rapid-elm=\"context_link\" data-ylk=\"elm:context_link\" data-rapid-sec=\"{&quot;entry-text&quot;:&quot;entry-text&quot;}\" data-rapid_p=\"23\" data-v9y=\"1\">*Este texto foi originalmente publicado no HuffPost US e traduzido do ingl\u00eas.<\/a><\/em><\/p>\n<\/div>\n<p>Fonte: <a href=\"https:\/\/www.huffpostbrasil.com\/entry\/cooperativa-trabalho-trans_br_5d812597e4b077dcbd657a6c\">https:\/\/www.huffpostbrasil.com\/entry\/cooperativa-trabalho-trans_br_5d812597e4b077dcbd657a6c<\/a><\/p>\n\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Hoje \u00e9 noite de karaok\u00ea no Q-Center, espa\u00e7o de reuni\u00f5es da LGBT Network no bairro de Long Island City, no Queens, em Nova York, nos Estados Unidos. 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