{"id":2811,"date":"2020-10-16T12:39:02","date_gmt":"2020-10-16T12:39:02","guid":{"rendered":"https:\/\/www.acaoparamita.com.br\/?p=2811"},"modified":"2023-03-27T08:18:57","modified_gmt":"2023-03-27T11:18:57","slug":"el-pais-antonieta-de-barros-a-parlamentar-negra-pioneira-que-criou-o-dia-do-professor","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaoparamita.com.br\/en\/el-pais-antonieta-de-barros-a-parlamentar-negra-pioneira-que-criou-o-dia-do-professor\/","title":{"rendered":"(El Pa\u00eds) Antonieta de Barros, a parlamentar negra pioneira que criou o Dia do Professor"},"content":{"rendered":"<h2 class=\"wp-block-heading\">Uma das tr\u00eas primeiras mulheres eleitas no Brasil, sua bandeira pol\u00edtica era o poder revolucion\u00e1rio e libertador da educa\u00e7\u00e3o para todos<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-right\"><em>por Aline Torres, <a extln_redirecting=\"true\" href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/opiniao\/2020-10-15\/antonieta-de-barros-a-parlamentar-negra-pioneira-que-criou-o-dia-do-professor.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">EL PA\u00cdS<\/a><\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Um menino no interior do Maranh\u00e3o comemora o 15 de outubro, assim como uma menina ga\u00facha. O&nbsp;<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/noticias\/profesorado\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><strong>dia do professor<\/strong><\/a>&nbsp;\u00e9 celebrado em todo o Brasil. Sabem esses estudantes quem \u00e9 a extraordin\u00e1ria hero\u00edna brasileira que criou a data? Seus feitos, sua hist\u00f3ria? Sabem os professores destes estudantes algo sobre ela? Ou ser\u00e1 que esta&nbsp;<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2017\/07\/27\/politica\/1501114503_610956.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">personagem fant\u00e1stica, mulher e negra<\/a>, foi&nbsp;<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2016\/12\/09\/politica\/1481308817_062038.html?rel=listapoyo\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">invisibilizada<\/a>?<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Antonieta de Barros<\/strong>&nbsp;foi excepcional. Est\u00e1 entre as tr\u00eas primeiras mulheres eleitas no Brasil.&nbsp;<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2020-09-01\/por-que-precisamos-de-mais-negros-e-negras-na-politica.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">A \u00fanica negra<\/a>. Foi eleita em 1934 deputada estadual por&nbsp;<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/noticias\/santa-catarina\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Santa Catarina<\/a>, mesmo ano que a m\u00e9dica Carlota Pereira de Queir\u00f3s foi eleita deputada federal por S\u00e3o Paulo. Sete anos antes, Alzira Soriano havia sido eleita prefeita num pequeno munic\u00edpio do&nbsp;<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/noticias\/rio-grande-do-norte\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Rio Grande do Norte<\/a>, primeiro estado a permitir disputas femininas.<\/p>\n\n\n\n<p>Expoente da ideia \u201can\u00e1rquica\u201d de que&nbsp;<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2018\/09\/14\/opinion\/1536933199_059245.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">as mulheres deveriam ter direito ao voto<\/a>, a bi\u00f3loga Bertha Lutz trocou in\u00fameras cartas com Antonieta na d\u00e9cada de 1930. Vale lembrar, Antonieta foi eleita menos de meio s\u00e9culo ap\u00f3s a&nbsp;<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2020-05-13\/viver-como-escravo-depois-da-abolicao-pra-quem-nasceu-preto-a-escravidao-continuava-sendo-normal.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">aboli\u00e7\u00e3o da escravatura<\/a>&nbsp;e apenas dois do sufr\u00e1gio \u2014que deu \u00e0s mulheres direito ao voto facultativo. Num pa\u00eds fortemente preconceituoso quanto \u00e0 classe, cor e g\u00eanero tinha orgulho de sua hist\u00f3ria.<\/p>\n\n\n\n<p>Nasceu em Desterro, como era chamada Florian\u00f3polis, no dia 11 de julho de 1901. No registro de batismo, na C\u00faria Metropolitana, realizado pelo Padre Francisco Topp, n\u00e3o aparece o nome do pai. A m\u00e3e era Catarina Waltrich, escrava liberta. No imagin\u00e1rio popular, a verdadeira paternidade estaria ligada \u00e0 fam\u00edlia Ramos, uma das mais tradicionais do Estado.<\/p>\n\n\n\n<p>A bandeira pol\u00edtica de Antonieta era o poder revolucion\u00e1rio e libertador da educa\u00e7\u00e3o para todos. O analfabetismo em Santa Catarina, em 1922, \u00e9poca que come\u00e7ou a lecionar, era de 65%. Isso que o Estado, sobretudo pela presen\u00e7a alem\u00e3, aparecia com um dos \u00edndices mais altos de escolariza\u00e7\u00e3o do pa\u00eds, seguidos por S\u00e3o Paulo.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo conta Karla Leonora Dahse Nunes na sua disserta\u00e7\u00e3o de mestrado, Catarina teve tr\u00eas filhos e os sustentava como lavadeira, servi\u00e7o comum \u00e0s mulheres negras da \u00e9poca. Tamb\u00e9m teve, com a ajuda financeira de Vidal Ramos, uma pequena pens\u00e3o para estudantes. Foram esses jovens que ensinaram as letras tardiamente para a curiosa Antonieta. Alfabetizada, mergulhou por conta pr\u00f3pria no universo dos livros.<\/p>\n\n\n\n<p>Professora formada, tinha 17 anos quando fundou o curso particular \u201cAntonieta de Barros\u201d, com o objetivo de&nbsp;<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2017\/01\/11\/economia\/1484157646_626884.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">combater o analfabetismo de adultos<\/a>&nbsp;carentes. Sua cren\u00e7a era que a educa\u00e7\u00e3o era a \u00fanica arma capaz de libertar os desfavorecidos da servid\u00e3o. Sua fama de excelente profissional, no entanto, fez com que lecionasse tamb\u00e9m para a elite nos Col\u00e9gio Cora\u00e7\u00e3o de Jesus, Dias Velho e Catarinense.<\/p>\n\n\n\n<p>Se existissem barreiras, l\u00e1 estaria Antonieta para romp\u00ea-las.<\/p>\n\n\n\n<p>Sua defesa acirrada pela educa\u00e7\u00e3o fez com que ocupasse as p\u00e1ginas dos jornais. Al\u00e9m de professora, virou cronista. N\u00e3o havia outra mulher em posi\u00e7\u00e3o semelhante no Estado. Em 23 anos de contribui\u00e7\u00e3o \u00e0 imprensa escreveu mais de mil artigos em oito ve\u00edculos e criou a revista Vida Ilhoa.<\/p>\n\n\n\n<p>De seus opositores nos jornais e nas bancadas, ouviu que \u201cmulheres n\u00e3o deveriam opinar, pois nasceram para servir\u201d, \u201cque a natureza n\u00e3o d\u00e1 saltos, cada ser deve conservar-se no seu setor, e a finalidade da mulher \u00e9 ser m\u00e3e e ser rainha do lar\u201d e que \u201cn\u00e3o seguisse o exemplo de Anita Garibaldi, uma vagabunda\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas aqueles homens brancos da elite olig\u00e1rquica e pol\u00edtica, n\u00e3o a intimidaram. Antonieta era forte, mulher de fibra. N\u00e3o havia quem tivesse argumentos para cal\u00e1-la. As cal\u00fanias eram rebatidas com intelecto e destreza nos artigos assinados sob pseud\u00f4nimo Maria da Ilha. Sua caneta era afrontosa. Escrevia sobre&nbsp;<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/noticias\/educacion\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">educa\u00e7\u00e3o<\/a>, os desmandos pol\u00edticos e a condi\u00e7\u00e3o feminina. Dizia que as mulheres n\u00e3o deveriam ser \u201cvirgens de ideias\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Honesta, en\u00e9rgica e humana, era respeitada e admirada por seu esp\u00edrito de justi\u00e7a. Tinha voz numa \u00e9poca que as mulheres eram silenciadas. Escreveu dois cap\u00edtulos da Constitui\u00e7\u00e3o catarinense, sobre Educa\u00e7\u00e3o e Cultura e Funcionalismo, at\u00e9 ser destitu\u00edda do cargo pelo golpe de Get\u00falio Vargas.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 1937, publicou o livro&nbsp;<em>Farrapos de Ideias<\/em>. Os lucros da primeira edi\u00e7\u00e3o foram doados para constru\u00e7\u00e3o de uma escola para abrigar crian\u00e7as, filhas de pais internados no lepros\u00e1rio Col\u00f4nia Santa Tereza. A obra teve outras duas edi\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>Uma das poucas frustra\u00e7\u00f5es da carreira de Antonieta foi n\u00e3o ter cursado o ensino superior. Seu sonho era a Faculdade de Direito, exclusiva para homens. Mas na pol\u00edtica ela brilhou, foi eleita novamente em 1947. Desde sua vit\u00f3ria, apenas outras 15 mulheres ocuparam uma cadeira na Assembleia de Santa Catarina. Nenhuma negra. Antonieta ainda n\u00e3o teve herdeira de luta.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/sociedade\/2020-03-04\/lei-escolar-do-imperio-restringiu-ensino-de-matematica-para-meninas.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">A primeira grande lei educacional do Brasil foi sancionada por dom Pedro I em 15 de outubro<\/a>&nbsp;em 1827, um marco para a educa\u00e7\u00e3o brasileira. A data era comemorada informalmente, mas foi um projeto de Antonieta a lei que criou o Dia do Professor e o feriado escolar nessa data (Lei N\u00ba 145, de 12 de outubro de 1948), em Santa Catarina. A data seria oficializada no pa\u00eds inteiro somente 20 anos depois, em outubro de 1963, pelo presidente da Rep\u00fablica,&nbsp;<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/noticias\/joao-belchior-marques-goulart\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Jo\u00e3o Goulart<\/a>. Outras leis importantes foram concess\u00f5es de bolsas de cursos superiores para alunos carentes e concursos para o magist\u00e9rio, para elevar o ensino p\u00fablico e evitar apadrinhamentos.<\/p>\n\n\n\n<p>Antonieta deveria ser uma esp\u00e9cie de&nbsp;<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/noticias\/frida-kahlo\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Frida Kahlo<\/a>&nbsp;brasileira. Foi feminista numa sociedade conservadora, negra e mulher numa terra de oligarquias, mestre de centenas de jovens da elite branca que jamais deixaram de reverenciar sua cultura e personalidade. E \u00e9 a prova que n\u00e3o s\u00e3o apenas as manifesta\u00e7\u00f5es de raiz a\u00e7oriana que sustentam a cultura de Florian\u00f3polis.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cA grandeza da vida, a magnitude da vida, gira em torno da educa\u00e7\u00e3o\u201d, escreveu em seu livro. Seu nome deveria ser conhecido por cada crian\u00e7a que homenageia seus professores no dia 15 de outubro. Por cada mulher que exerce seu direito ao voto e disputa vagas nas elei\u00e7\u00f5es. Por fim, por cada brasileiro que sai \u00e0s ruas indignado com os preconceitos de cor, classe e g\u00eanero.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">213 anos de escravid\u00e3o: a heran\u00e7a de Antonieta<\/h3>\n\n\n\n<p>Para percebermos como Antonieta foi c\u00e9lebre basta entender um pouco do contexto hist\u00f3rico de Santa Catarina, o Estado com maior popula\u00e7\u00e3o dita branca do pa\u00eds. Da primeira expedi\u00e7\u00e3o de Martim Afonso de Souza, em 1531, at\u00e9 o&nbsp;<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2016\/02\/19\/cultura\/1455888899_047091.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\u00faltimo navio negreiro que aportou no Rio de Janeiro<\/a>, em 1856, quatro milh\u00f5es de africanos foram sequestrados para se tornarem escravos em solo brasileiro.<\/p>\n\n\n\n<p>Desterro (Florian\u00f3polis), territ\u00f3rio Guarani, foi povoada em 1675, quando o bandeirante Francisco Dias Velho, vindo da Capitania de S\u00e3o Vicente (S\u00e3o Paulo), se apossou das terras com sua fam\u00edlia e uma comitiva de 400 pessoas, a maioria, ind\u00edgenas e negros escravizados.<\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1 ineg\u00e1veis tra\u00e7os africanos na constru\u00e7\u00e3o da identidade catarinense, mas eles s\u00e3o apagados. A presen\u00e7a negra n\u00e3o \u00e9 lembrada pela hist\u00f3ria popular, embora, no s\u00e9culo 19, 20% da popula\u00e7\u00e3o de Desterro tenha sido negra. No mesmo per\u00edodo, no Planalto Serrano, de onde veio Catarina, m\u00e3e de Antonieta de Barros, chegava a 50%, de acordo com o livro&nbsp;<em>Negro em Terra de Branco<\/em>, escrito por Joana Maria Pedro, Ligia de Oliveira Czesnat, Luiz Felipe Falc\u00e3o, Orivalda Lima e Silva, Paulino Francisco de Jesus Cardoso e Ros\u00e2ngela Miranda Cherem.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo o livro, a economia da prov\u00edncia n\u00e3o se baseava em latif\u00fandios, mas a presen\u00e7a negra n\u00e3o era, de modo algum, inexpressiva. O negro escravizado desempenhava fun\u00e7\u00f5es na pesca de peixes e baleias. Trabalhava com seus senhores nas planta\u00e7\u00f5es de arroz e mandioca. Exercia of\u00edcios de sapateiros, pedreiros, marceneiros, ferreiros e soldados. Servia para os cuidados dom\u00e9sticos da elite burocr\u00e1tica e militar. E ainda como lava-p\u00e9s e cadeirinhas.<\/p>\n\n\n\n<p>The&nbsp;<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2018\/06\/25\/cultura\/1529917947_118147.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">resist\u00eancia \u00e0 escravid\u00e3o<\/a>&nbsp;\u00e9 bastante documentada do come\u00e7o a metade do s\u00e9culo 19. Da cria\u00e7\u00e3o de grupos c\u00edvicos \u00e0 funda\u00e7\u00e3o de irmandade como a Nossa Senhora do Ros\u00e1rio, que coletava fundos para compras de alforrias. A opress\u00e3o n\u00e3o era pouca. Negros n\u00e3o podiam se aglomerar, \u201cvadiar\u201d pelas ruas, nem cantar e dan\u00e7ar sob pena de 50 chibatadas.<\/p>\n\n\n\n<p>No livro&nbsp;<em>Navegadores e Exploradores de Santa Catarina<\/em>, Roberto Wildner traz a figura do naturalista Langsdorff. \u00c9 do cientista o relato cruel sobre o com\u00e9rcio em Desterro, em 1803: \u201cA quantidade de escravos negros de ambos os sexos que se veem aqui \u00e9 estranha aos olhos desacostumados de um europeu qualquer. Despertou-me revolta especial quando vim pela primeira vez a Nossa Senhora do Desterro e vi um grande n\u00famero destas criaturas abandonadas, nuas, deitadas frente \u00e0s portas de ruas laterais e oferecidas \u00e0 venda. Apenas as regi\u00f5es p\u00fabias estavam cobertas com um velho pano rasgado que ap\u00f3s alguns dias eram substitu\u00eddos por um grosseiro tecido azulado\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Em Florian\u00f3polis, a primeira vez que esse tema apareceu no mundo acad\u00eamico foi em 1960, na pesquisa dos jovens soci\u00f3logos, \u00e0 \u00e9poca,&nbsp;<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/autor\/fernando-henrique-cardoso\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Fernando Henrique Cardoso<\/a>&nbsp;e Otavio Ianni, reeditada como&nbsp;<em>Negros em Florian\u00f3polis<\/em>. Na obra, ficam claro os preconceitos de cor e o quanto Santa Catarina se esfor\u00e7ou para ser a \u201cEuropa dentro do Brasil\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o foi o esp\u00edrito humanit\u00e1rio que engajou&nbsp;<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2019\/11\/15\/politica\/1573824412_841710.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">as campanhas abolicionistas<\/a>. Foi a esperan\u00e7a no&nbsp;<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2017\/01\/07\/internacional\/1483795840_886159.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">branqueamento da popula\u00e7\u00e3o<\/a>&nbsp;que ansiava pela modernidade econ\u00f4mica. O negro n\u00e3o cabia nesse plano, pois era visto como atraso, um impeditivo aos novos tempos. O resultado da repulsa pelos negros foi que os abolicionistas n\u00e3o lutaram por retrata\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica, nem se preocuparam com o destino de milhares de pessoas ap\u00f3s a aboli\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Desterro ansiava pela chegada dos europeus, que deixariam a popula\u00e7\u00e3o de pele e olhos claros e teriam voca\u00e7\u00e3o para o trabalho e o progresso. Tinha pressa. Foi a terceira capital da aboli\u00e7\u00e3o. Jornais da \u00e9poca tinham como principais produtos de beleza, o \u201cCremme Oriza, para branquear, abrandar e refrescar a pele\u201d e o \u201cT\u00f4nico Oriental para cabelos finos como seda\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>No entanto, nos portos aos quais chegaram os imigrantes, primeiro os a\u00e7orianos, depois alem\u00e3es e italianos, eram os negros que trabalhavam de estivadores. J\u00e1 no in\u00edcio do s\u00e9culo XX, o in\u00edcio da moderniza\u00e7\u00e3o arquitet\u00f4nica modificou a imagem de Florian\u00f3polis. Os casebres dos negros, situados no centro da cidade, foram demolidos. O de Antonieta permaneceu em p\u00e9 por interfer\u00eancia da fam\u00edlia Ramos.<\/p>\n\n\n\n<p>Criou-se, ent\u00e3o, a lei das t\u00e1buas. O governo deu t\u00e1buas para os negros com a condi\u00e7\u00e3o que constru\u00edssem suas casas longe da vista. A\u00ed come\u00e7ou a ocupa\u00e7\u00e3o dos morros. Surgiram as comunidades do Morro da Caixa D&#8217;\u00c1gua, da Coloninha e do Continente. Em seguida, nasceram clubes como Uni\u00e3o Recreativa 25 de Dezembro, Brinca Quem Pode, Flor da Mocidade, Flor do Abacate, Tiram\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Houve o florescimento de uma intelectualidade negra, Ildefonso Juvenal da Silva, Trajano Mar\u00adgarida, Jo\u00e3o Rosa J\u00fanior, Am\u00e1lia Efig\u00eania da Silva, Maria da Rosa Lapa, Demerval Cordeiro dos Santos, Maria Carlita, Dorvalina Machado Coelho e Maria Ven\u00e2nia \u2014professores, jornalistas, poetas, compositores, m\u00fasicos, oradores da gera\u00e7\u00e3o de Antonieta\u2014, costumeiramente desdenhados pela elite branca.<\/p>\n\n\n\n<p>Antonieta era a exce\u00e7\u00e3o. Era aceita pelos brancos. Mas, vale ressaltar que, de 1929 a 1951, escreveu em oito jornais sem nunca ter falado de sua cor. O que n\u00e3o foi impeditivo para ouvir de um colega de bancada parlamentar, o m\u00e9dico Oswaldo Rodrigues Cabral, que ela escrevia \u201cintriga barata de senzala\u201d.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator\"\/>\n\n\n\n<p><em><strong>Aline Torres&nbsp;<\/strong>\u00e9 jornalista, escritora e criadora da&nbsp;<\/em><a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/construtoresdememorias\/?hl=pt-br\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><em>Construtores de Mem\u00f3rias<\/em><\/a><em>, uma ag\u00eancia de narrativas, especializada em transformar lembran\u00e7as afetivas em livros, reportagens e document\u00e1rios.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><strong>FONTE:<\/strong><a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/opiniao\/2020-10-15\/antonieta-de-barros-a-parlamentar-negra-pioneira-que-criou-o-dia-do-professor.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"> EL PA\u00cdS<\/a>, originalmente publicado em 15 de outubro de 2020<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Uma das tr\u00eas primeiras mulheres eleitas no Brasil, sua bandeira pol\u00edtica era o poder revolucion\u00e1rio e libertador da educa\u00e7\u00e3o para todos por Aline Torres, EL PA\u00cdS Um menino no interior do Maranh\u00e3o comemora o 15 de outubro, assim como uma menina ga\u00facha. 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