{"id":511,"date":"2019-09-22T07:00:03","date_gmt":"2019-09-22T07:00:03","guid":{"rendered":"http:\/\/www.acaoparamita.com.br\/?p=511"},"modified":"2023-03-27T08:21:03","modified_gmt":"2023-03-27T11:21:03","slug":"medicina-preta-primeira-turma-de-medicos-da-ufrb-entra-para-a-historia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaoparamita.com.br\/en\/medicina-preta-primeira-turma-de-medicos-da-ufrb-entra-para-a-historia\/","title":{"rendered":"Medicina Preta: primeira turma de m\u00e9dicos da UFRB entra para a hist\u00f3ria"},"content":{"rendered":"<p class=\"wp-block-paragraph\" style=\"text-align:right\">por Edvan Lessa* ( <a href=\"mailto:lessaedvan@gmail.com\">lessaedvan@gmail.com<\/a> )<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong> Foto com 12 formandos negros viralizou nas redes sociais nas \u00faltimas semanas                                      <\/strong><\/p>\n\n\n<p class=\"bodytext\">Ber\u00e7o da medicina no Brasil e estado com popula\u00e7\u00e3o majoritariamente preta e parda, a Bahia nunca formou tantos m\u00e9dicos negros numa s\u00f3 turma como agora. A cola\u00e7\u00e3o de grau dos veteranos de Medicina da Universidade Federal do Rec\u00f4ncavo da Bahia (UFRB), no dia 29 de agosto, \u00e9 in\u00e9dita, n\u00e3o s\u00f3 para a institui\u00e7\u00e3o, como tamb\u00e9m na hist\u00f3ria do ensino superior brasileiro.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">Numa foto que viralizou nas redes sociais, 12 estudantes \u2013 41% dos formandos \u2013 posam imponentes de bra\u00e7os cruzados. Para alguns, o marco representado na imagem se confunde com um desvio na hist\u00f3ria, mas o novo cap\u00edtulo \u00e9 simb\u00f3lico; mina uma tradi\u00e7\u00e3o alheia \u00e0 diversidade de perfis, e impacta a \u00e1rea da sa\u00fade, no estado, sem precedentes.<\/p>\n<blockquote>\n<h3 class=\"bodytext\"><span style=\"color: #0000ff;\"><strong>\u201cSer da primeira turma traz o \u2018peso\u2019 de estar levando a \u2018cara\u2019 da UFRB comigo. A miss\u00e3o \u00e9 fazer com que as pessoas conhe\u00e7am a universidade e a qualidade do curso de Medicina no mercado de trabalho\u201d<\/strong>, afirma Keline Carvalho, 27 anos, de Amargosa, rec\u00e9m-contratada na terra natal.<\/span><\/h3>\n<\/blockquote>\n<div class=\"content-list-component text\">\n<p class=\"bodytext\">Por dias, a imagem em quest\u00e3o percorreu perfis de pessoas an\u00f4nimas e p\u00fablicas, a exemplo da conta no Twitter do ex-presidente Lula.&nbsp;<\/p>\n<p class=\"bodytext\">Keline, que dispensa o t\u00edtulo de doutora, j\u00e1 tem mestrado e especializa\u00e7\u00e3o e est\u00e1 em um grupo no WhatsApp, junto aos colegas negros. Nele, compartilham informa\u00e7\u00f5es \u00fateis \u00e0s suas trajet\u00f3rias m\u00e9dicas. O di\u00e1logo entre os novos m\u00e9dicos, inclusive, tem gerado oportunidades de trabalho. Alguns conseguiram contratos e, ent\u00e3o, indicaram os colegas.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">\u201cTemos um grupo no WhatsApp para nos fortalecermos e trocar experi\u00eancias\u201d, escreve L\u00edcia Reis, 29, natural de Santo Ant\u00f4nio de Jesus e m\u00e9dica em Ia\u00e7u. Aos cinco anos, ela j\u00e1 sonhava em ser m\u00e9dica. Come\u00e7ou a trabalhar aos 15, como manicure e, durante a faculdade, conciliava o trabalho com os estudos.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">No in\u00edcio da gradua\u00e7\u00e3o, conta, houve um congresso no qual um professor falou sobre o perfil racial do curso de Medicina da UFRB. A plateia que ouvia o docente teria ficado visivelmente desconfort\u00e1vel. \u201cA sensa\u00e7\u00e3o era de que n\u00f3s, alunos negros, est\u00e1vamos \u2018sujando a medicina\u2019. Dali por diante, teria que provar a todo momento que eu era capaz, sim, de me tornar m\u00e9dica\u201d, conta.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">Os epis\u00f3dios de racismo, velados ou expl\u00edcitos, s\u00e3o comuns nos depoimentos dos estudantes da UFRB. Apesar disso, serviram tamb\u00e9m de for\u00e7a motriz para Fab\u00edola Souza, 28, de Serrinha: \u201cDiferente da maioria das jovens negras, sem a mesma oportunidade, ocupei esse lugar e hoje vejo que ele nos pertence, apesar de nos dizerem o contr\u00e1rio\u201d.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">A m\u00e9dica Reisyanne Lopes, 30, de Feira de Santana, considera que a formatura de uma mulher preta representa um ato pol\u00edtico e de resist\u00eancia. \u201cA medicina era algo inalcan\u00e7\u00e1vel porque n\u00e3o \u00e9 muito comum que uma mulher preta, de fam\u00edlia humilde, estudante de escola p\u00fablica, filha de motorista de t\u00e1xi e agente comunit\u00e1ria de sa\u00fade se torne m\u00e9dica, n\u00e3o \u00e9 mesmo?\u201d, indaga.<\/p>\n<p class=\"bodytext\"><strong>Perfil das escolas m\u00e9dicas<\/strong><br>A antiga Academia M\u00e9dico-Cir\u00fargica, hoje Faculdade de Medicina da Universidade Federal da Bahia (Ufba), \u00e9 um exemplo de como determinadas exig\u00eancias acentuaram as desigualdades e exclu\u00edram pessoas de classe baixa, antes da implanta\u00e7\u00e3o de cotas \u00e9tnico-raciais.<\/p>\n<blockquote>\n<h3 class=\"bodytext\"><span style=\"color: #0000ff;\"><strong>\u201cAs elites colocavam seus filhos para se tornar doutores, mesmo que depois n\u00e3o atuassem. H\u00e1 uma tradi\u00e7\u00e3o elitista neste curso e ela foi, progressivamente, se democratizando\u201d, <\/strong>explica Ronaldo Jacobina, professor aposentado da Ufba.<\/span><\/h3>\n<\/blockquote>\n<p class=\"bodytext\">\u201cAo longo da hist\u00f3ria da universidade no Brasil, uma caracter\u00edstica marcante dos seus estudantes foi a presen\u00e7a maci\u00e7a de indiv\u00edduos autodeclarados brancos e de alta renda, especialmente em curso de elevado prest\u00edgio social, como o curso de Medicina\u201d, sublinha Luciana Santana, docente da UFRB.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">Num livro publicado neste ano, a pesquisadora observou que o percentual de estudantes autodeclarados brancos no ensino superior brasileiro \u00e9 de 38,3%, enquanto os autodeclarados negros, isto \u00e9, pretos e pardos, chegava a 30%.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">No curso de Medicina da UFRB, o percentual foi de 76,7% \u2013 40% negros; 36,7% pardos. \u201cAcredito que n\u00e3o encontraremos este percentual de negros em outra universidade brasileira, em curso de Medicina\u201d, pondera.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">Em 2013, a turma aprovada era, predominantemente, do sexo feminino (76,7%); 86% eram naturais do estado da Bahia (86%); 66% haviam cursado o ensino m\u00e9dio em escola p\u00fablica; 40% declararam ser negros e 53,3% informaram renda familiar entre um e dois sal\u00e1rios m\u00ednimos.<\/p>\n<blockquote>\n<h3 class=\"bodytext\"><span style=\"color: #0000ff;\"><strong>\u201cEssa na\u00e7\u00e3o sempre foi algoz com a popula\u00e7\u00e3o negra. Para n\u00f3s, ativistas e militantes da comunidade negra, estamos celebrando uma grande vit\u00f3ria, inclusive, que n\u00e3o imagin\u00e1vamos que ir\u00edamos alcan\u00e7ar\u201d<\/strong>, observa Valdecir Nascimento, coordenadora executiva do Odara Instituto da Mulher Negra.<\/span><\/h3>\n<\/blockquote>\n<p class=\"bodytext\">Tal cen\u00e1rio resulta, embora n\u00e3o exclusivamente, da Lei de Cotas que incide nas federais e que garante a reserva de 50% das matr\u00edculas por curso e turno nas universidades e institutos federais a alunos oriundos integralmente do ensino m\u00e9dio p\u00fablico. Os demais 50% das vagas permanecem para ampla concorr\u00eancia.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">De acordo com Paulo Nacif, ex-reitor da UFRB, n\u00e3o \u00e9 uma coincid\u00eancia que os cursos da institui\u00e7\u00e3o como um todo apresentem um percentual de alunos negros compat\u00edvel com o que existe na sociedade brasileira. \u201cA diversidade racial da primeira turma de Medicina foi um projeto. A UFRB \u00e9 a \u00fanica que nasce com uma pr\u00f3-reitoria de pol\u00edticas afirmativas e assuntos estudantis\u201d, exp\u00f5e.<\/p>\n<p><img data-recalc-dims=\"1\" fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-512 size-full\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.acaoparamita.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/csm_Domingo_2209_infoMedicina_0ebdfb4043.jpg?resize=540%2C340\" alt=\"\" width=\"540\" height=\"340\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/acaoparamita.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/csm_Domingo_2209_infoMedicina_0ebdfb4043.jpg?w=540&amp;ssl=1 540w, https:\/\/i0.wp.com\/acaoparamita.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/csm_Domingo_2209_infoMedicina_0ebdfb4043.jpg?resize=300%2C189&amp;ssl=1 300w\" sizes=\"(max-width: 540px) 100vw, 540px\" \/><\/p>\n<p class=\"bodytext\"><strong>Trajet\u00f3rias<\/strong><br>A m\u00e9dica Nadjane Santos, 28, de Feira de Santana, optou por Medicina enquanto cursava o Bacharelado Interdisciplinar em Sa\u00fade (BIS). \u201cS\u00e3o 10 longos anos de faculdade. N\u00e3o vou romantizar meu relacionamento com a UFRB, pois essa \u00e9 uma hist\u00f3ria de dor, de priva\u00e7\u00e3o e de lutas di\u00e1rias contra a desist\u00eancia. Mas \u00e9 tamb\u00e9m uma hist\u00f3ria de resili\u00eancia e gratid\u00e3o\u201d, admite.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">Assim como o grupo no WhatsApp &#8211; intitulado Medicina Preta -, estudantes descrevem outras estrat\u00e9gias para apoiar uns aos outros.<\/p>\n<blockquote>\n<h3 class=\"bodytext\"><span style=\"color: #0000ff;\"><strong>\u201cDentre tudo que me fortaleceu ao longo do percurso, preciso destacar aqui o Coletivo NegreX formado estudantes de Medicina negros e negras do Brasil. Nesse espa\u00e7o, me senti em casa, representado e acolhido\u201d<\/strong>, exp\u00f5e Vin\u00edcius Pereira, 27, nascido em Salvador.<\/span><\/h3>\n<\/blockquote>\n<p class=\"bodytext\">Na vis\u00e3o da santoantoniense Let\u00edcia Santos, 34, cursar a UFRB proporcionou uma experi\u00eancia incr\u00edvel, mas houve sofrimento devido \u00e0 descren\u00e7a de colegas e at\u00e9 de professores.&nbsp;<\/p>\n<p class=\"bodytext\">Ap\u00f3s a cola\u00e7\u00e3o de grau, alguns falaram sobre os desafios e receios. \u201cEu sempre pude contar com professores para conversar sobre os casos dos pacientes. Agora, eu me torno mais independente\u201d, compartilha Airana Ribeiro, 28, de Feira de Santana.<\/p>\n<p class=\"bodytext\"><strong>Atua\u00e7\u00e3o no Rec\u00f4ncavo<\/strong><br>A Secretaria de Sa\u00fade do Estado da Bahia (Sesab) repercutiu a cola\u00e7\u00e3o de grau dos m\u00e9dicos. Segundo a pasta, para al\u00e9m da identidade cultural, de conhecerem melhor o perfil epidemiol\u00f3gico da regi\u00e3o Rec\u00f4ncavo, os m\u00e9dicos formados&nbsp;da UFRB tendem a atuar de forma mais direcionada \u00e0s necessidades dos pacientes que, por vezes, s\u00e3o negligenciadas.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">Para o vice-presidente do Conselho Regional de Medicina do Estado da Bahia (Cremeb), Julio Braga, os m\u00e9dicos formados&nbsp;UFRB devem tentar permanecer no Rec\u00f4ncavo baiano. J\u00e1 a Associa\u00e7\u00e3o M\u00e9dica Brasileira (AMB), ao ser indagada acerca do impacto desta formatura, informou que n\u00e3o opinaria.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">Antes da cola\u00e7\u00e3o de grau, Antonio Wagner Nogueira, 30 anos, comentou sobre o desejo de atuar em Unidade de Sa\u00fade da Fam\u00edlia (USF), e em urg\u00eancia e emerg\u00eancia hospitalar no Rec\u00f4ncavo baiano. Ele \u00e9 um dos m\u00e9dicos contratados em Amargosa, e come\u00e7ou a trabalhar tamb\u00e9m no munic\u00edpio de El\u00edsio Medrado.&nbsp;<\/p>\n<p class=\"bodytext\">At\u00e9 a resid\u00eancia m\u00e9dica, os profissionais rec\u00e9m-formados&nbsp;atendem como m\u00e9dicos generalistas. A maioria dos bachar\u00e9is ouvidos pelo CORREIO prefere a medicina de fam\u00edlia e comunidade, caracterizada por atender as pessoas ao longo de suas vidas, reunindo a\u00e7\u00f5es de promo\u00e7\u00e3o e recupera\u00e7\u00e3o da sa\u00fade.<\/p>\n<blockquote>\n<h3 class=\"bodytext\"><span style=\"color: #0000ff;\"><strong>\u201cMedicina de fam\u00edlia e comunidade \u00e9 a \u00e1rea de maior interesse e sempre esteve presente na minha trajet\u00f3ria no curso\u201d<\/strong>, argumenta Antonio Wagner.<\/span><\/h3>\n<\/blockquote>\n<p class=\"bodytext\">Para Tayana Barbosa, 28 anos, que nasceu e atua como m\u00e9dica em Concei\u00e7\u00e3o do Almeida, o maior desafio agora \u00e9 ser aceita socialmente como m\u00e9dica preta e oriunda da classe baixa. \u201cPretendo ser uma profissional tal qual a minha forma\u00e7\u00e3o me prop\u00f4s: m\u00e9dica de fam\u00edlia e comunidade, do Sistema \u00danico de Sa\u00fade (SUS), do povo do Rec\u00f4ncavo baiano e comprometida com a realidade social\u201d, afirmou, antes da cola\u00e7\u00e3o de grau.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">A Estrat\u00e9gia de Sa\u00fade da Fam\u00edlia, no Rec\u00f4ncavo, possui uma cobertura estimada de 87,56% m\u00e9dicos, enquanto a Bahia possui 72,73 %, segundo informou a Sesab. Na regi\u00e3o existem 165 m\u00e9dicos atuando na Sa\u00fade da Fam\u00edlia e h\u00e1 uma lacuna de, aproximadamente, 22 m\u00e9dicos para alcan\u00e7ar 100% de cobertura.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">De acordo com Denize Ornelas, da Sociedade Brasileira de Medicina de Fam\u00edlia e Comunidade, \u00e1rea que a UFRB prioriza na forma\u00e7\u00e3o dos m\u00e9dicos, o perfil racial \u00e9 importante por mudar as composi\u00e7\u00f5es das turmas e permitir uma abordagem melhor da diversidade que existe da popula\u00e7\u00e3o brasileira, em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s diferen\u00e7as demogr\u00e1ficas, econ\u00f4micas e sociais, decorrentes do racismo institucional.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">Ornelas tamb\u00e9m considera importante a aproxima\u00e7\u00e3o entre m\u00e9dicos e pacientes negros. \u201cUma vez que se veem em uma posi\u00e7\u00e3o que, classicamente, n\u00e3o \u00e9 ocupada por pessoas negras, e que costumam ter uma origem social mais pobre\u201d, contextualiza. Segundo Francine Concei\u00e7\u00e3o, 29 uma das m\u00e9dicas rec\u00e9m-graduadas, um epis\u00f3dio foi emblem\u00e1tico nesse sentido ainda durante a faculdade.<\/p>\n<blockquote>\n<h3 class=\"bodytext\"><span style=\"color: #0000ff;\"><strong>\u201cFazendo uma visita domiciliar, uma senhora \u2013 que era minha paciente e que tinha sofrido um Acidente Vascular Cerebral (AVC) \u2013 segurou minha m\u00e3o e disse ao neto que estava ao lado: \u2018Ela \u00e9 das nossas, ela \u00e9 preta e \u00e9 m\u00e9dica\u2019. Eles sorriram e eu me emocionei enquanto ela me encorajava a seguir sem desistir, apertando a minha m\u00e3o\u201d<\/strong>, descreve m\u00e9dica, natural de S\u00e3o F\u00e9lix.<\/span><\/h3>\n<\/blockquote>\n<p class=\"bodytext\">\u201cSempre que a hierarquia vai para cima, \u00e9 considerada de maior valor, s\u00e3o vistos as mulheres e os homens brancos. Se o campo escolhido for de menor prest\u00edgio, \u00e9 mais f\u00e1cil as pessoas compreenderem a presen\u00e7a das pessoas negras\u201d, considera Emanuelle G\u00f3es, doutora em Sa\u00fade P\u00fablica pela Ufba que estuda a sa\u00fade das mulheres negras.<\/p>\n<p class=\"bodytext\"><strong>Cotas regionais<\/strong><br>De acordo com os pesquisadores, estudantes e formandos&nbsp;da UFRB, h\u00e1 uma tend\u00eancia na redu\u00e7\u00e3o do percentual de negros e de baianos dentre os novos graduandos de medicina.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">\u201c\u00c9 um fen\u00f4meno que tem nos preocupado bastante porque o nosso curso \u00e9 constru\u00eddo na perspectiva da expans\u00e3o da educa\u00e7\u00e3o superior para o interior da Bahia, e para a estrat\u00e9gia de provimento de m\u00e9dicos no interior\u201d, reflete Luciana Barbosa, docente da institui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">A professora e ex-coordenadora do curso de Medicina explica que esse novo fen\u00f4meno tem sido objeto de discuss\u00e3o interna. Segundo ela, \u00e9 comum que estudantes do Sudeste ocupem as vagas da UFRB, e de outras escolas m\u00e9dicas baianas, ao utilizarem o Sistema de Sele\u00e7\u00e3o Unificada (Sisu).&nbsp;<\/p>\n<p class=\"bodytext\">\u201c\u00c9 poss\u00edvel perceber, no dia-a-dia, que as turmas mais recentes t\u00eam uma quantidade maior de estudantes brancos em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 que acabou de formar\u201d, comenta Everaldino Rodrigues, 29 anos, e aluno da nona turma de Medicina. Conforme apontam os professores Paulo Nacif, Luciana Santana e Luciana Barbosa, uma solu\u00e7\u00e3o para assegurar a diversidade das futuras turmas requer a implanta\u00e7\u00e3o de um sistema de avalia\u00e7\u00e3o que permita a estudantes do pr\u00f3prio Rec\u00f4ncavo ingressarem em condi\u00e7\u00f5es menos desiguais, isto \u00e9, por meio de cotas regionais.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">Em 2017, a Procuradoria Geral da Rep\u00fablica (PGR) defendeu que esse tipo ingresso, com base unicamente na origem do candidato, \u00e9 inconstitucional. Entretanto, a discus-s\u00e3o sobre a constitucionalidade das cotas regionais ainda est\u00e1 em andamento no Su-premo Tribunal Federal (STF).<\/p>\n<p class=\"bodytext\">Conforme a assessoria de comunica\u00e7\u00e3o da UFRB, a institui\u00e7\u00e3o possui 92% dos seus estudantes oriundos do estado da Bahia. Desses, 79,6 s\u00e3o do interior do estado e 62,9% pertencentes ao Rec\u00f4ncavo. Ainda assim, est\u00e1 em discuss\u00e3o o Programa de Avalia\u00e7\u00e3o Seriada, cujas a\u00e7\u00f5es de implanta\u00e7\u00e3o devem ocorrer em 2023. O objetivo do PAS \u00e9 promover a articula\u00e7\u00e3o da universidade com a educa\u00e7\u00e3o e b\u00e1sica e, como isso, fomentar uma pol\u00edtica de acesso diferenciada.&nbsp;<\/p>\n<p class=\"bodytext\"><strong>*Esta mat\u00e9ria \u00e9 resultado de parceria entre revista AUGE, sediada em Santo Ant\u00f4nio de Jesus, e o jornal CORREIO<\/strong><\/p>\n<p class=\"bodytext\">Fonte: <a href=\"https:\/\/www.correio24horas.com.br\/noticia\/nid\/medicina-preta-primeira-turma-de-medicos-da-ufrb-entra-para-a-historia\/\">Correio 24horas<\/a><\/p>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>por Edvan Lessa* ( lessaedvan@gmail.com ) Foto com 12 formandos negros viralizou nas redes sociais nas \u00faltimas semanas Ber\u00e7o da medicina no Brasil e estado com popula\u00e7\u00e3o majoritariamente preta e parda, a Bahia nunca formou tantos m\u00e9dicos negros numa s\u00f3 turma como agora. 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