{"id":585,"date":"2019-08-09T01:09:15","date_gmt":"2019-08-09T01:09:15","guid":{"rendered":"http:\/\/www.acaoparamita.com.br\/?p=585"},"modified":"2023-03-27T08:21:03","modified_gmt":"2023-03-27T11:21:03","slug":"mais-da-metade-dos-yanomami-esta-contaminada-com-mercurio-diz-estudo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaoparamita.com.br\/en\/mais-da-metade-dos-yanomami-esta-contaminada-com-mercurio-diz-estudo\/","title":{"rendered":"Mais da metade dos Yanomami est\u00e1 contaminada com merc\u00fario, diz estudo"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align:right\">por Not\u00edcias BV2<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n<p class=\"bodytext\">Uma pesquisa ainda in\u00e9dita da Funda\u00e7\u00e3o Oswaldo Cruz (Fiocruz) constatou contamina\u00e7\u00e3o por merc\u00fario entre ind\u00edgenas Yanomami. De acordo com o estudo, 56% apresentaram \u00edndice do metal acima do limite estabelecido pela Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade (OMS). H\u00e1 suspeitas de rela\u00e7\u00e3o desse fato com o aumento dos garimpos ilegais na regi\u00e3o que usam merc\u00fario no processo de extra\u00e7\u00e3o do ouro.<\/p>\n<p>A pesquisa da Fiocruz foi feita entre mulheres e crian\u00e7as em aldeias de Amazonas e Roraima. Foram coletadas amostras de cabelo de 272 pessoas, depois analisadas pelo laborat\u00f3rio do Instituto Evandro Chagas, em Bel\u00e9m (PA).<\/p>\n<p>A terra Yanomami tem 9,6 milh\u00f5es de hectares entre os estados de Amazonas e Roraima. \u00c9 uma das popula\u00e7\u00f5es mais isoladas do pa\u00eds, e a regi\u00e3o \u00e9 rica em min\u00e9rios como o ouro.<\/p>\n<p><strong>ACIMA<\/strong><\/p>\n<p>Em 4% da popula\u00e7\u00e3o analisada havia concentra\u00e7\u00f5es acima de seis microgramas de merc\u00fario por grama de cabelo, considerado o limite de toler\u00e2ncia biol\u00f3gica do corpo humano a essa subst\u00e2ncia. A partir desse valor, podem surgir doen\u00e7as neurol\u00f3gicas. O percentual limite da Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade (OMS) \u00e9 de dois microgramas de merc\u00fario por grama de cabelo examinado.<\/p>\n<p>Uma crian\u00e7a de tr\u00eas anos de idade que teve seu cabelo analisado e apresentou um \u00edndice de 13,87 microgramas, sete vezes mais que o limite da OMS e mais de duas vezes maior que o \u00edndice de toler\u00e2ncia biol\u00f3gica.<\/p>\n<p>A regi\u00e3o onde fica a terra ind\u00edgena Yanomami tem sofrido os efeitos da presen\u00e7a de garimpeiros ilegais. No dia 25 de julho, imagens de sat\u00e9lite avaliadas pela BBC News Brasil revelaram uma expans\u00e3o dos focos de garimpo ilegal em Terras Ind\u00edgenas de Roraima desde janeiro deste ano.<\/p>\n<p>O avan\u00e7o do garimpo ilegal no estado motivou a reabertura das Bases de Prote\u00e7\u00e3o Etnoambiental (Bape) da Terra Ind\u00edgena Yanomami ap\u00f3s quatro anos fechadas. No prazo de tr\u00eas meses, uma das bases ter\u00e1 sido reaberta e at\u00e9 2020 todas estar\u00e3o em pleno funcionamento com servidores da Funai, ind\u00edgenas e a colabora\u00e7\u00e3o de agentes de outras institui\u00e7\u00f5es do Estado.<\/p>\n<p>A reabertura acontece ap\u00f3s decis\u00e3o 1\u00aa Vara Federal da Justi\u00e7a Federal de Roraima dada em novembro no ano passado, ap\u00f3s a\u00e7\u00e3o civil p\u00fablica proposta pelo Minist\u00e9rio P\u00fablico Federal (MPF) para que as bases fossem reinstaladas. O \u00f3rg\u00e3o que cuida dos ind\u00edgenas tinha que instalar as bases em at\u00e9 180 dias<\/p>\n<p>Apesar da situa\u00e7\u00e3o considerada alarmante pelas lideran\u00e7as, o governo federal j\u00e1 finalizou a minuta de um projeto de lei que prev\u00ea a regulamenta\u00e7\u00e3o da minera\u00e7\u00e3o em terras ind\u00edgenas. Tamb\u00e9m ontem, o presidente Jair Bolsonaro disse que a rejei\u00e7\u00e3o estimada \u201cpode ser compat\u00edvel\u201d com a realidade. Ele afirmou acreditar que h\u00e1 incompreens\u00e3o sobre o que \u00e9 um garimpo.<\/p>\n<p><strong>\u2018TRISTE REALIDADE\u2019<\/strong><\/p>\n<p>O l\u00edder ind\u00edgena yanomami Davi Kopenawa diz que a contamina\u00e7\u00e3o por merc\u00fario n\u00e3o \u00e9 uma novidade na regi\u00e3o. \u201cA gente sabe disso. E uma triste realidade. Garimpeiro, quando vem na nossa terra, n\u00e3o respeita nada. O merc\u00fario cai no rio, envenena o peixe e contamina a gente. Tem garimpo em nossa terra desde os anos 1970, mas aumentou muito recentemente\u201d, relata o l\u00edder.<\/p>\n<p><strong>MERC\u00daRIO<\/strong><\/p>\n<p>O uso do merc\u00fario faz parte do processo tradicional utilizado no garimpo para separar o ouro dos demais sedimentos. Uma parte dele \u00e9 despejada nos rios e igarap\u00e9s e a outra \u00e9 lan\u00e7ada na atmosfera. Uma vez na atmosfera, ele acaba caindo nas proximidades das \u00e1reas de explora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>As \u00e1guas dos rios e os peixes que ingerem o merc\u00fario podem lev\u00e1-lo para regi\u00f5es mais distantes. A contamina\u00e7\u00e3o de seres humanos se d\u00e1 especialmente atrav\u00e9s da ingest\u00e3o de peixes contaminados, sobretudo os carn\u00edvoros e de tamanho maior.<\/p>\n<p>O merc\u00fario \u00e9 um metal altamente e a contamina\u00e7\u00e3o por ele pode provocar altera\u00e7\u00f5es no sistema nervoso central, perda de vis\u00e3o, doen\u00e7as card\u00edacas entre outras debilidades. Nas mulheres gestantes, os danos s\u00e3o ainda mais graves, pois o merc\u00fario atinge o feto, causando deforma\u00e7\u00f5es irrecuper\u00e1veis.<\/p>\n<p><strong>PESQUISA ANTERIOR<\/strong><\/p>\n<p>Esse cen\u00e1rio \u00e9 parecido com o que foi encontrado em outra \u00e1rea da terra ianom\u00e2mi, em 2016, e em regi\u00f5es de garimpo como no rio Tapaj\u00f3s, no Par\u00e1. Um estudo da Fiocruz, em parceria com o Instituto Socioambiental (ISA), mostrou algumas aldeias chegam a ter 92% das pessoas examinadas contaminadas por merc\u00fario.<\/p>\n<p>Em outubro de 2017, lideran\u00e7as ind\u00edgenas yanomami denunciaram que 22 crian\u00e7as morreram por contamina\u00e7\u00e3o de merc\u00fario no rio Uraricoera, devido aos garimpos ilegais na regi\u00e3o do Palimi-U, em Alto Alegre, ao Norte do Estado. Segundo os tuxauas e conselheiros ind\u00edgenas, \u00e0 \u00e9poca, o problema se arrastava h\u00e1 mais de duas d\u00e9cadas.<\/p>\n<p>Ainda de acordo com os ind\u00edgenas, os casos foram registrados entre os meses de fevereiro e mar\u00e7o de 2017. Mas os casos voltaram a acontecer em outubro, quando um ind\u00edgena de 48 anos morreu, em menos de 24h, depois de comer um peixe que ele havia pescado no rio. Os ind\u00edgenas chegaram a enviar of\u00edcios ao MPF, Pol\u00edcia Federal (PF), Ex\u00e9rcito Brasileiro e Funai , mas nenhuma provid\u00eancia foi tomada para solucionar o caso.<\/p>\n<p><strong>Informa\u00e7\u00f5es:<\/strong> Roraima em Tempo<\/p>\n<div class=\"content-list-component text\">\n<p class=\"bodytext\">Fonte: <a href=\"http:\/\/boavistaja.com\/denuncia\/2019\/08\/09\/mais-da-metade-dos-yanomami-esta-contaminada-com-mercurio-diz-estudo\/\">BoaVista J\u00e1<\/a><\/p>\n<\/div>\n\n\n<p><\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>por Not\u00edcias BV2 Uma pesquisa ainda in\u00e9dita da Funda\u00e7\u00e3o Oswaldo Cruz (Fiocruz) constatou contamina\u00e7\u00e3o por merc\u00fario entre ind\u00edgenas Yanomami. De acordo com o estudo, 56% apresentaram \u00edndice do metal acima do limite estabelecido pela Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade (OMS). H\u00e1 suspeitas de rela\u00e7\u00e3o desse fato com o aumento dos garimpos ilegais na regi\u00e3o que usam [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":586,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_themeisle_gutenberg_block_has_review":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[61],"tags":[],"class_list":["post-585","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-vivencia-indigena"],"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/i0.wp.com\/acaoparamita.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/Yanomamis2-300x199-e1572901708262.jpg?fit=300%2C199&ssl=1","jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/acaoparamita.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/585","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/acaoparamita.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/acaoparamita.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaoparamita.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaoparamita.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=585"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/acaoparamita.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/585\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":8333,"href":"https:\/\/acaoparamita.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/585\/revisions\/8333"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaoparamita.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media\/586"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/acaoparamita.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=585"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/acaoparamita.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=585"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/acaoparamita.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=585"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}