{"id":684,"date":"2019-11-17T04:31:49","date_gmt":"2019-11-17T07:31:49","guid":{"rendered":"http:\/\/www.acaoparamita.com.br\/?p=684"},"modified":"2023-08-15T17:16:40","modified_gmt":"2023-08-15T20:16:40","slug":"historias-da-miseria-extrema-pobreza-aumentou-47-entre-2014-e-2018-e-atinge-652-mil-pessoas-no-rio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaoparamita.com.br\/en\/historias-da-miseria-extrema-pobreza-aumentou-47-entre-2014-e-2018-e-atinge-652-mil-pessoas-no-rio\/","title":{"rendered":"Hist\u00f3rias da mis\u00e9ria: extrema pobreza aumentou 47% entre 2014 e 2018 e atinge 652 mil pessoas no Rio"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align:right\">Por Giselle Ouchana e Rafael Galdo<\/p>\n\n\n\n<p style=\"text-align:left\">RIO &#8211; Onde falta quase tudo, o almo\u00e7o, quando tem, pode ser arroz com feij\u00e3o puro. Essa \u00e9 a rotina no casebre de Belford Roxo onde mora Aparecida Matias. Raramente ela p\u00f5e no fogo o que chama de \u201cmisturinha\u201d, um peda\u00e7o de pelanca que pede no mercado ou outra carne que ganhe dos vizinhos. Em Bangu, Alessandra Alves tamb\u00e9m se deita preocupada com o que vai comer no dia seguinte. Na \u00fanica refei\u00e7\u00e3o da quarta-feira passada, nem feij\u00e3o tinha, s\u00f3 arroz com p\u00e3o. As duas compartilham o medo da fome e de outras tantas amea\u00e7as que rondam cerca de 652,4 mil pessoas em situa\u00e7\u00e3o de extrema pobreza no Rio \u2014 um aumento de 47,07% em rela\u00e7\u00e3o a cinco anos atr\u00e1s. <\/p>\n\n\n\n<p>Entre 2014 e 2018, pelo menos 208,8 mil habitantes do estado \u2014 mais que toda a popula\u00e7\u00e3o de uma cidade do porte de Nova Friburgo \u2014 ca\u00edram na mis\u00e9ria, segundo dados da S\u00edntese de Indicadores Sociais do IBGE, divulgados este m\u00eas. S\u00e3o pessoas que se viram com menos de R$ 150 por m\u00eas (ou US$ 1,90 por dia, conforme crit\u00e9rio utilizado pela pesquisa). E, em meio a pen\u00farias de um estado em processo de recupera\u00e7\u00e3o fiscal, enfrentam o desemprego e a depend\u00eancia de programas sociais. <\/p>\n\n\n\n<p>Alessandra, o marido Edinei da Silva e tr\u00eas filhos vivem essa afli\u00e7\u00e3o. Eles dividem R$ 108 mensais do Bolsa Fam\u00edlia e o pouco de dinheiro que conseguem catando latinha e vendendo balas no acesso \u00e0 Favela Vila Alian\u00e7a. H\u00e1 cerca de um ano e meio, Edinei perdeu o emprego de auxiliar de servi\u00e7os gerais, com carteira assinada e um sal\u00e1rio m\u00ednimo, e a sobreviv\u00eancia se tornou quase um malabarismo. <\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 N\u00e3o sobra nem o dinheiro da passagem para procurar trabalho. Sequer lembro a \u00faltima vez que cozinhei carne em casa. A geladeira e o arm\u00e1rio est\u00e3o vazios \u2014 diz Alessandra. <\/p>\n\n\n\n<p>Ao passo que a pobreza atingia mais fluminenses, o Rio, segundo o IBGE, foi o estado em que o desemprego mais subiu no pa\u00eds: 138%. O \u00edndice passou de 6,3% em 2014 para 15% em 2018. Foi o fator determinante para o atual cen\u00e1rio, diz o pesquisador Carlos Ant\u00f4nio Costa Ribeiro Filho, do Instituto de Estudos Sociais e Pol\u00edticos da Uerj: <\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 Passamos por uma crise forte, iniciada em 2014, quando as taxas de desemprego aumentaram. Esse quadro n\u00e3o foi revertido, e n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel enxergar um horizonte promissor para os pr\u00f3ximos anos.<\/p>\n\n\n\n<p>Diante da derrocada, aumentou tamb\u00e9m o n\u00famero de benefici\u00e1rios do Bolsa Fam\u00edlia no Rio: de 827,8 mil fam\u00edlias, em 2014, para 875,3 mil, em 2018. Mas o pesquisador do IBGE Leonardo Athias observa que as a\u00e7\u00f5es do programa federal n\u00e3o foram suficientes para anular os efeitos da crise. Al\u00e9m disso, destaca, o valor atual do Bolsa Fam\u00edlia, de R$ 89 por pessoa, n\u00e3o supre nem os R$ 150 que caracterizam a situa\u00e7\u00e3o de mis\u00e9ria. <\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 \u00c9 o principal programa social, mas, ao longo dos anos, n\u00e3o foi atualizado a ponto de acompanhar os valores da linha de extrema pobreza. Enquanto isso, os mais pobres vivem nos lugares mais prec\u00e1rios enfrentam os maiores obst\u00e1culos para manter os filhos na escola \u2014 afirma. <\/p>\n\n\n\n<p>J\u00e1 o programa Renda Melhor \u2014 uma esp\u00e9cie de Bolsa Fam\u00edlia do governo estadual \u2014 foi suspenso em 2016. Hoje, afirma a Secretaria de Desenvolvimento Social e Direitos Humanos, h\u00e1 uma crescente demanda pelos principais equipamentos de assist\u00eancia social cofinanciados pelo estado, como os Centros POP, que atendem moradores de rua. <\/p>\n\n\n\n<p>Devido \u00e0 recupera\u00e7\u00e3o fiscal, o governo admite enfrentar restri\u00e7\u00f5es para implementar novas iniciativas. Mas afirma ter planos como reabrir restaurantes populares e criar mais um espa\u00e7o para acolher pessoas em situa\u00e7\u00e3o de rua na Regi\u00e3o Metropolitana. <\/p>\n\n\n\n<p>A prefeitura do Rio, que mant\u00e9m o Cart\u00e3o Fam\u00edlia Carioca, n\u00e3o se manifestou. Na capital, o total de miser\u00e1veis passou de 118 mil, em 2014; para 147 mil, em 2018.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Giselle Ouchana e Rafael Galdo RIO &#8211; Onde falta quase tudo, o almo\u00e7o, quando tem, pode ser arroz com feij\u00e3o puro. 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