{"id":709,"date":"2019-11-19T14:40:31","date_gmt":"2019-11-19T14:40:31","guid":{"rendered":"http:\/\/www.acaoparamita.com.br\/?p=709"},"modified":"2023-03-27T08:20:05","modified_gmt":"2023-03-27T11:20:05","slug":"angola-janga-a-hq-que-propoe-um-novo-olhar-sobre-a-resistencia-negra-de-palmares","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaoparamita.com.br\/en\/angola-janga-a-hq-que-propoe-um-novo-olhar-sobre-a-resistencia-negra-de-palmares\/","title":{"rendered":"&#8216;Angola Janga&#8217;: A HQ que prop\u00f5e um novo olhar sobre a resist\u00eancia negra de Palmares"},"content":{"rendered":"\n<p style=\"text-align:right\">por <a href=\"https:\/\/www.huffpostbrasil.com\/author\/amauri-terto\/\">Amauri Terto<\/a><\/p>\n\n\n<figure id=\"attachment_713\" aria-describedby=\"caption-attachment-713\" style=\"width: 630px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img data-recalc-dims=\"1\" fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-713\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.acaoparamita.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/angola1.jpeg?resize=630%2C315\" alt=\"\" width=\"630\" height=\"315\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/acaoparamita.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/angola1.jpeg?w=630&amp;ssl=1 630w, https:\/\/i0.wp.com\/acaoparamita.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/angola1.jpeg?resize=600%2C300&amp;ssl=1 600w, https:\/\/i0.wp.com\/acaoparamita.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/angola1.jpeg?resize=300%2C150&amp;ssl=1 300w\" sizes=\"(max-width: 630px) 100vw, 630px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-713\" class=\"wp-caption-text\">Divulga\u00e7\u00e3o<\/figcaption><\/figure>\n<div class=\"content-list-component text\">\n<p>Quadrinista e mestre em hist\u00f3ria da arte pela USP, <strong>Marcelo D&#8217;Salete<\/strong> lan\u00e7ou no \u00faltimo m\u00eas de novembro sua nova graphic novel: <em>Angola Janga \u2013 Uma Hist\u00f3ria de Palmares<\/em>. Como o subt\u00edtulo sugere, a obra apresenta uma nova perspectiva sobre o mais famoso polo de resist\u00eancia negra do Brasil colonial.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/veneta.com.br\/produto\/angola-janga\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-rapid-elm=\"context_link\" data-ylk=\"elm:context_link\" data-rapid-sec=\"{&quot;entry-text&quot;:&quot;entry-text&quot;}\" data-rapid_p=\"2\" data-v9y=\"1\">Publicado pela editora Veneta<\/a>, obra de 432 p\u00e1ginas \u00e9 fruto de um processo de pesquisa que durou ao todo 11 anos. Nesse per\u00edodo, o autor paulista se debru\u00e7ou sobre documentos, em textos e imagens, dispon\u00edveis em locais como o Museu Afro Brasil, em S\u00e3o Paulo, Memorial de Palmares, em Alagoas &#8211; al\u00e9m de estudos acad\u00eamicos.<\/p>\n<p>Ao longo dos anos de pesquisa, D&#8217;Salete lan\u00e7ou outros trabalhos tamb\u00e9m dicados \u00e0 tem\u00e1tica racial, incluindo <em>Noite Luz<\/em> (2008), <em>Encruzilhada<\/em> (2016) e <em>Cumbe<\/em> (2014) \u2013 este \u00faltimo foi publicado em Portugal, Fran\u00e7a, Estados Unidos, Alemanha, Austria e It\u00e1lia. &#8220;Minha tentativa \u00e9 falar sobre o Brasil a partir de algumas experi\u00eancias marcantes e da perspectiva da popula\u00e7\u00e3o negra e da periferia&#8221;, diz o autor.<\/p>\n<figure id=\"attachment_714\" aria-describedby=\"caption-attachment-714\" style=\"width: 500px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-714\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.acaoparamita.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/angola2.jpeg?resize=500%2C735\" alt=\"\" width=\"500\" height=\"735\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/acaoparamita.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/angola2.jpeg?w=500&amp;ssl=1 500w, https:\/\/i0.wp.com\/acaoparamita.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/angola2.jpeg?resize=204%2C300&amp;ssl=1 204w\" sizes=\"(max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-714\" class=\"wp-caption-text\">Divulga\u00e7\u00e3o<\/figcaption><\/figure>\n<div class=\"content-list-component text\">\n<p>Em <em>Angola Janga<\/em>, D&#8217;Salete combina fic\u00e7\u00e3o e realidade para narrar a hist\u00f3ria de Zumbi, principal lideran\u00e7a do quilombo, e de outros importantes personagens daquele cen\u00e1rio, tais como Ant\u00f4nio Soares, Ganga Zumba e Ganga Zona. Em entrevista por telefone ao HuffPost Brasil, ele conta que as fontes hist\u00f3ricas sobre Palmares e sobre as rela\u00e7\u00f5es que se deram na regi\u00e3o s\u00e3o em geral de autoria de pessoas que almejavam a destrui\u00e7\u00e3o do quilombo. &#8220;Eram documentos de soldados, de governadores de Pernambuco, eram documentos de pessoas que queriam de fato acabar com aquele local&#8221;.<\/p>\n<p>Ele explica que parte dos acontecimentos que aparecem na graphic novel \u00e9 referentes aos fatos registrados nesses documentados. &#8220;A gente sabe, por exemplo, que houve uma tentativa de acordo de paz [entre a Coroa Portuguesa e o quilombo], protagonizada por Ganga Zumba e Ganga Zona. A gente sabe que o principal mocambo de Palmares, chamado de Macaco, foi destru\u00eddo em 1694. E que Zumbi morreu quase dois anos depois&#8221;, enumera.<\/p>\n<figure id=\"attachment_715\" aria-describedby=\"caption-attachment-715\" style=\"width: 600px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-715\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.acaoparamita.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/angola3.jpeg?resize=600%2C831\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"831\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/acaoparamita.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/angola3.jpeg?w=600&amp;ssl=1 600w, https:\/\/i0.wp.com\/acaoparamita.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/angola3.jpeg?resize=217%2C300&amp;ssl=1 217w\" sizes=\"(max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-715\" class=\"wp-caption-text\">Divulga\u00e7\u00e3o<\/figcaption><\/figure>\n<div class=\"content-list-component text\">\n<p>Entretanto, a trabalho toma certa dist\u00e2ncia de vers\u00f5es oficiais e se aproxima da criatividade ao recriar a mem\u00f3ria de uma \u00e9poca a partir da vis\u00e3o dos personagens <a href=\"https:\/\/www.huffpostbrasil.com\/news\/brasil-negro\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-rapid-elm=\"context_link\" data-ylk=\"elm:context_link\" data-rapid-sec=\"{&quot;entry-text&quot;:&quot;entry-text&quot;}\" data-rapid_p=\"5\" data-v9y=\"1\">negros<\/a> que fundaram e constru\u00edram o local de resist\u00eancia.<\/p>\n<p>&#8220;O que eu tentei no livro foi elaborar narrativas a partir das pessoas que estavam dentro de Palmares, dentro de Angola Janga. E para isso a fic\u00e7\u00e3o \u00e9 muito importante. \u00c9 a partir dela que a gente consegue imaginar como seria a vida daquelas pessoas naquele momento&#8221;, conta o autor. O desejo inicial do autor era construir personagens com objetivos, interesses e complexidade. Para ele, o resultado final apresenta uma &#8220;vis\u00e3o muito pessoal sobre Palmares&#8221;.<\/p>\n<p>O t\u00edtulo da graphic novel vem da l\u00edngua kimbundu e significa &#8220;pequena Angola&#8221;, que era como os negros reunidos em Palmares chamavam a regi\u00e3o. &#8220;\u00c9 uma obra que flerta e dialoga com a Hist\u00f3ria, mas tenta conduzir isso de uma forma interessante enquanto fic\u00e7\u00e3o&#8221;, afirma.<\/p>\n<p>D&#8217;Salete lamenta que o Quilombo dos Palmares, que teve 100 anos de dura\u00e7\u00e3o, n\u00e3o receba destaque nas escolas. &#8220;Ele aparece no ensino escolar como um anexo dentro da nossa Hist\u00f3ria. E, na verdade, Palmares foi muito maior e mais complexo&#8221;, diz o autor sobre a regi\u00e3o que compreendia mais de dez mocambos espalhados na Serra da Barriga chegou a abrigar mais de 20 mil quilombolas. &#8220;Quando a gente pensa no s\u00e9culo 17, dentro do contexto colonial brasileiro, Palmares representou um papel marcante e definidor de pol\u00edticas geradas tanto naquele per\u00edodo quanto posteriormente&#8221;, completa.<\/p>\n<figure id=\"attachment_716\" aria-describedby=\"caption-attachment-716\" style=\"width: 600px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-716\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.acaoparamita.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/angola4.jpeg?resize=600%2C831\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"831\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/acaoparamita.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/angola4.jpeg?w=600&amp;ssl=1 600w, https:\/\/i0.wp.com\/acaoparamita.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/angola4.jpeg?resize=217%2C300&amp;ssl=1 217w\" sizes=\"(max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-716\" class=\"wp-caption-text\">Divulga\u00e7\u00e3o<\/figcaption><\/figure>\n<div class=\"content-list-component text\">\n<p>Avesso a uma abordagem superficial sobre a hist\u00f3ria do local de ref\u00fagio ou destaque \u00fanico da figura de Zumbi, o quadrinista defende que a narrativa do Quilombo dos Palmares seja revisitada para que haja um real entendimento sobre o que ele representa para o Brasil. Ele cita a tentativa de acordo de paz entre o l\u00edder Ganga Zumba e a Coroa Portuguesa como um fato importante pouco explorado nas narrativas e que oferece ajuda para se compreender a resist\u00eancia negra no Pa\u00eds. Essa tentativa, que se repetiu em diferentes momentos da hist\u00f3ria do quilombo, cerca de dois anos e tamb\u00e9m \u00e9 retratada no livro. &#8220;E \u00e9 l\u00f3gico que ela foi uma tentativa de persuadir e de dividir os palmaristas porque acabar com todos aquele mocamos era algo impens\u00e1vel. Era muito dif\u00edcil&#8221;, explica.<\/p>\n<blockquote class=\"pull-quote\">\n<blockquote class=\"td_pull_quote td_pull_center\">\n<h2><span class=\"quote\">&#8220;Tentei elaborar narrativas a partir das pessoas que estavam dentro de Palmares, dentro de Angola Janga.&#8221;<\/span><\/h2>\n<\/blockquote>\n<\/blockquote>\n<p>O anseio do quadrinista por um olhar mais atencioso sobre o significado de Palmares para o Brasil encontra eco em uma recente medida internacional que reafirma o legado do maior e mais conhecido quilombo do Brasil. No mesmo m\u00eas em que <em>Angola Janga<\/em> foi lan\u00e7ado, a Serra da Barriga, regi\u00e3o que abrigou o quilombo na ent\u00e3o Capitania de Pernambuco, <a href=\"http:\/\/www.brasil.gov.br\/cultura\/2017\/11\/serra-da-barriga-em-alagoas-e-declarada-patrimonio-cultural-do-mercosul\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-rapid-elm=\"context_link\" data-ylk=\"elm:context_link\" data-rapid-sec=\"{&quot;entry-text&quot;:&quot;entry-text&quot;}\" data-rapid_p=\"7\" data-v9y=\"1\">recebeu o t\u00edtulo de patrim\u00f4nio cultural do Mercosul.<\/a><\/p>\n<p>No pr\u00f3ximo ano, a graphic novel de Marcelo D&#8217;Salete ser\u00e1 lan\u00e7ada em Portugal e na Fran\u00e7a. Novos leitores v\u00e3o tomar contato com uma nova perspectiva da resist\u00eancia da popula\u00e7\u00e3o negra escravizada no Brasil. Mais pessoas poder\u00e3o, assim, alcan\u00e7ar uma nova compreens\u00e3o do que \u00e9 ser brasileiro. &#8220;Sem compreender a hist\u00f3ria de alguns grupos espec\u00edficos como negros e ind\u00edgenas, n\u00f3s n\u00e3o conseguimos compreender como foi a Hist\u00f3ria do Brasil e como essa Hist\u00f3ria permanece ainda hoje&#8221;, acredita o autor.<\/p>\n<p><iframe title=\"ANGOLA JANGA, hq, quadrinhos, Marcelo D&#039;Salete, Veneta, 2017.\" width=\"800\" height=\"450\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/H3RIjt5d-jc?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p class=\"bodytext\">Fonte: <a href=\"https:\/\/www.huffpostbrasil.com\/2017\/12\/08\/angola-janga-a-hq-que-lanca-um-novo-olhar-sobre-a-resistencia-negra-de-palmares_a_23301960\/\">HUFFPOST BRASIL<\/a> Originalmente publicada em 08\/12\/2017<\/p>\n\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>por Amauri Terto Quadrinista e mestre em hist\u00f3ria da arte pela USP, Marcelo D&#8217;Salete lan\u00e7ou no \u00faltimo m\u00eas de novembro sua nova graphic novel: Angola Janga \u2013 Uma Hist\u00f3ria de Palmares. 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